julho 04, 2008
Esta solidariedade é estúpida
Num país com o défice das contas públicas à espreita, impostos altíssimos, em que metade da população tem como garantido um emprego eterno e a restante encontra-se desempregada, com emprego precário ou no meio de uma concorrência desenfreada, os prejuízos da TAP, noticiados hoje pelo Público, são a cereja em cima do bolo.
Faltam apenas informações sobre a RTP, a Caixa Geral de Depósitos, a CP, o Metropolitano de Lisboa (a quem o Tribunal de Contas puxou as orelhas há poucas semanas) e por aí fora, para que a festa seja de arromba.
Aguentar isto não é ser solidário. É ser estúpido.
julho 03, 2008
Luz e sombra

Amesterdão é também a sombra fresca, apesar da luz intensa. E água. Água com barcos e casas nas ruas.
julho 01, 2008
Estrategicamente falidos
O programa ‘Prós & Contras’ é engraçado. O que mais se ouve, em qualquer das suas edições, são as expressões ‘parceria estratégica’, ‘sector estratégico’, ‘perspectiva estratégica’ e por aí fora, desde que a palavra ‘estratégia’ ou qualquer sua derivada esteja metida ao barulho. Parece que estão a discutir o ‘Risco’ ou o ‘Diplomacy’, mas não. Referem-se ao nosso país, às nossas vidas e mexem com o nosso dinheiro.
Portugal anda há décadas à procura de uma nova estratégia. Foi o caminho de ferro, depois África, a seguir a Europa que nos permitiu pagar as auto-estradas, os pavilhões multi-usos e por aí fora. Finda esta brincadeira, que nos tornou um país (aparentemente) moderno, mas falido, estrategicamente falido, os sonhos febris continuam nas ilustres cabeças dos que vão debitar chavões naquele programa.
Sonha-se com um TGV, num empreendimento à grande de encher bolsos e enganar papalvos, quando nem Leiria tem uma ligação ferroviária de jeito e uma deslocação a Viseu só é realizável por estrada a gastar combustível. Discute-se um novo aeroporto para Lisboa (que nunca vai ser feito – fica aqui o registo) só porque descobriram que é essencial ter uma cidade aeroportuária. A 50 kms da capital (que não é Londres, nem Paris, nem sequer Madrid) e com um estuário com cerca de 350km2 de área molhada no meio.
Cabeça baixa e um pouco de humildade é o que se pede. Algo difícil num país minúsculo que sempre se perdeu em grandezas.
junho 30, 2008
A ASAE não estava lá

Uma loja em Amesterdão, na noite de 8 de junho.

E na manhã seguinte. A mesma cidade, a mesma loja. Um certo sentimento de liberdade. Da liberdade comezinha, mas saborosa.
junho 27, 2008
Petróleo: a oferta ainda mexe
O Kuwait anunciou esta semana que se propõe aumentar, durante o ano de 2009, a extracção de petróleo em 300 mil barris diários. Tal aumento acarreta inúmeros investimentos, a que se somam a quantia de 55 mil milhões de dólares, repartidos nos próximos 5 anos, em projectos que visam aumentar ainda mais a capacidade extractora daquele país.
Estes dados são muito interessantes quando por todo o lado se fala da necessidade em encontrar alternativas ao petróleo. Se o mundo procura outras fontes de energia, por que razão o Kuwait insiste em gastar mais e mais dinheiro na extracção de um produto do qual os compradores procuram fugir?
Existem várias explicações. Entre elas está a vontade de o Kuwait aproveitar as enormes quantidades de dinheiro que estão a entrar nos seus cofres para fazer investimentos que lhe permitam, mais tarde, extrair petróleo de poços de acesso mais difícil, não sofrendo, dessa forma, quebras na sua extracção. Mas existe outra razão que é fazer baixar o preço. Com a subida constante do custo do petróleo, os países ocidentais pensam em alternativas possíveis. Com a possibilidade de o petróleo atingir os 150 ou até mesmo os 200 dólares, outras fontes de energia poderão ser atractivas, no que se traduziria num duro golpe para a economia do Kuwait.
É a eventualidade de um investimento ocidental em energias alternativas que o Kuwait quer desmotivar. Para isso, terá de vender petróleo mais barato, aumentando a produção, num aumento que vem ainda demonstrar como o peak oil está longe do seu horizonte. Estamos a assistir a um outro elemento na busca do novo equilíbrio petrolífero: Depois do aumento da procura, é o lado da oferta a reagir.
junho 26, 2008
A força das palavras
Lincoln ficou aborrecido com o seu discurso. Os aplausos foram poucos ou nenhuns e o presidente sentia ter falhado num acto (a maior inauguração daquele cemitério) que era da máxima importância. O discurso de Gettysburg foi tão rápido que o fotógrafo de serviço não teve tempo para preparar a máquina.
junho 25, 2008
A fasquia subiu
Aquando do anúncio da candidatura de Manuela Ferreira Leite à liderança do PSD, o que se pedia era que a ex-ministra das finanças retirasse a maioria absoluta ao PS. A vitória era possível (tudo o é), mas não esperável. Agora, com a crise económica e o mal estar social a acentuarem-se dia para dia, já se perspectiva uma vitória do PSD. Sem que a mesma o pedisse, muito menos o percebesse, a crise subiu a fasquia de Manuela Ferreira Leite.
Ao contrário do que inicialmente sugeriu Pacheco Pereira, o PSD não está apenas a lutar pela sua credibilidade. Isso era fácil e punha a pressão toda do lado do PS. Com a “emergência social” na ordem do dia, o PSD vai ter de fazer das tripas coração para vencer.
junho 20, 2008
Regresso à Rádio

Hoje estarei de novo do Descubra as Diferenças da Rádio Europa. A gravação foi esta manhã. Os temas são os seguintes, com uma pitada de futebol:
A Câmara Municipal de Lisboa continua a trazer-nos surpresas: a última passa pela moção de censura ao vereador Sá Fernandes por causa da polémica cedência da Praça das Flores à marca automóvel Skoda. E a alegada "privatização" dos jardins públicos de Lisboa continua a dar origem a opiniões contraditórias e debates bem acesos.
O "dia seguinte" na vitória do "Não" no referendo da Irlanda. Que se segue? Novo referendo? Negociações específicas com a Irlanda? Que futuro para o Tratado de Lisboa?
A instabilidade social continua, agora com os buzinões que começam a multiplicar-se, bem como as revoltas dos agricultores. Será o PS ainda capaz de repetir a maioria absoluta em 2009?
Depois das "directas" que levaram Manuela Ferreira Leite à liderança do PSD vem aí o congresso do partido, para enquadrar a nova situação. Em antecipação do congresso discute-se se todas as tendências social-democratas estarão apaziguadas...
Opinião livre e contraditório com Paulo Pinto Mascarenhas e Antonieta Lopes da Costa. Os convidados da semana são André Abrantes Amaral e Nuno Amaral Jerónimo. descubraasdiferencas@radioeuropa.fm.
6ªf, 20 de Junho- 19h
Domingo, 22 de Junho- 11h/ 19h
junho 19, 2008
O que sucederá aos subúrbios?
Estimativas indicam que o preço do petróleo poderá chegar aos 225 dólares em 2012 obrigando, naturalmente, a profundas mudanças no nosso modo de vida. Seremos forçados a andar menos de carro; a construção de casas novas vai ser reduzida, porque os materiais vão ficando mais caros e dar-se-á prioridade à reabilitação de casa antigas e velhas. Muitos irão viver nos centros das cidades. A pergunta que nos vai atormentar no futuro é: o que fazer com os subúrbios?
junho 18, 2008
junho 17, 2008
Amesterdão

Há muito que se possa dizer de Amesterdão: As drogas, a prostituição, mas também a liberdade de uma cidade burguesa e comercial, governada, não por reis, mas por cidadãos livres. Uma cidade no centro de uma Europa que ainda teria de passar pelo poder absoluto até aceitar o que os holandeses tinham descoberto há tanto tempo.
junho 04, 2008
The next President
A História é esmagadora quando vivida no presente. Estou do lado de McCain, mas julgo que Obama vai ser o próximo presidente dos EUA.
Actualização: O discurso pode ser visto na sua totalidade, aqui.
junho 03, 2008
Grandes metas
Perto do fim do seu livro ‘Uma casa para Mr. Biswas’, V.S. Naipaul descreve o regresso da Inglaterra de um dos cunhados de Mohun Biswas. Owad tinha sido educado para ir estudar para Londres e ser médico. Quando volta, estamos nos finais dos anos 40 com o governo de Atlee e as reformas sociais tão em voga na época, Owad sente uma profunda admiração pelos sovietes. Tudo na Rússia é bom. É fácil. Até semear arroz. Virando-se, às tantas, para uma tia que passa o dia de cabeça virada para a terra a semear arroz diz-lhe que, caso vivesse na Rússia ela não se teria de esforçar. As sementes seriam lançadas de aviões.
Mr. Biswas, independentemente de ficar admirado com tanto conhecimento, sente que algo não bate certo. No fundo, ele sabia o que era uma vida difícil e gostava de pensar pela sua própria cabeça.
Lembrei-me disto ao ler a notícia sobre a necessidade de a produção de arroz ter de aumentar em 50% até 2030. O secretário-geral da ONU está em Roma e deixou o alerta na cimeira da FAO, perante inúmeros chefes de Estado. Há uma coisa que aprendi com Mr. Biswas: Mesmo ignorante na matéria, desconfio. Também aqui há algo que não bate certo. Algo que não deve ser assim tão fácil e programado.
junho 02, 2008
Primeiro a despesa, depois os impostos
Com a subida do preço do petróleo têm sido muitas as pressões para que o governo desça o imposto sobre os combustíveis. A tentação é grande e vista como uma fácil maneira de atenuar a subida dos preços. No entanto, é preciso ter em atenção que, a maioria das vezes, decisões fáceis não são solução e escondem perigos ainda mais danosos que a subida do preço dos combustíveis.
Não são solução, porque o preço do petróleo vai continuar a subir anulando qualquer descida dos impostos. Ou seja, a médio e longo prazo a medida é inútil.
É perigosa, porque a economia portuguesa parou de crescer, ao contrário do que sucede com a despesa pública. Assim sendo, o défice das contas públicas vai voltar à ordem do dia, ameaçando com inflação e mais desemprego. Vai obrigar que o Estado continue a onerar os cidadãos com mais impostos, sugando-lhes os rendimentos e a capacidade de iniciativa.
Uma descida dos impostos que não implique, antes de mais nada, uma redução da despesa pública só vem piorar a situação complicada em que o país se encontra. Estamos num momento em que não há margem para choques fiscais, descida acentuada das receitas. Não há, não deve haver, lugar a populismos. A urgência está toda a redução da despesa do Estado.
É nos gastos que um futuro governo de direita deve começar. Forçando a redução da despesa, a supérflua e a estrutural, até ter espaço de manobra para baixar impostos sem que isso prejudique as pessoas.
Um governo que queira reformar verdadeiramente, queira tirar o país do círculo vicioso em que se encontra não o irá conseguir indo pelo caminho mais fácil. As pessoas não são autómatos que começam a produzir riqueza apenas porque a carga fiscal é menor. Elas precisam de sentir, de saber, que não há um monstro a espreitar por cima das suas cabeças, pronto a mudar as regras e a cair-lhes em cima a qualquer momento.
maio 29, 2008
maio 28, 2008
maio 26, 2008
maio 23, 2008
De regresso à rádio

DESCUBRA AS DIFERENÇAS
PROGRAMA DE DEBATE POLÍTICO, EM PARCERIA COM A ATLÂNTICO
SEXTA-FEIRA, 23 de MAIO - 19H05
DOMINGO, 25 de MAIO - 11H05 e 19H05 (redifusão)
Esta semana, Paulo Pinto Mascarenhas e Antonieta Lopes da Costa em debate com André Abrantes Amaral e Fernando Gabriel.
Juntos, debatem alguns dos principais temas da actualidade na semana:
- A economia portuguesa entrou em desaceleração no primeiro trimestre deste ano, com revisão em baixa de todas as previsões do Governo. Os combustíveis continuam a aumentar, os alimentos estão cada vez mais caros e a crise parece instalar-se, como uma depressão, entre os portugueses. Ainda há esperanças? E de quem é a responsabilidade?
- A China e a Birmânia reagem a duas catástrofes naturais de modo totalmente diferente. Enquanto a China aceita e agradece o apoio internacional, a Birmânia recusa e continua a afastar a ajuda norte-americana, aceitando finalmente a entrada de algum socorro das Nações Unidas. Quais as razões da diferenças de comportamento entre estes dois países?
- Hillary Clinton impôs-se por 35 pontos no Kentucky, conseguindo 65% dos votos, contra os 30% obtidos por Barack Obama. Mas Obama venceu no Oregon por uma margem de 16 pontos e já conseguiu a maioria de delegados eleitos pelo voto popular. Apesar disso, Hillary continua a insistir na candidatura, assegurando que não vai desistir. Será possível continuar?
- Violência xenófoba na África do Sul põe 13 mil imigrantes africanos em fuga. A violência começou em Alexandra, nos arredores de Joanesburgo, e alastrou como uma peste. Dois mineiros moçambicanos foram esta semana espancados até à morte e as autoridades já contam 24 mortos, seis deles também moçambicanos. O que fazer?
- A campanha do PSD está cada vez mais agitada, sobretudo depois da reentrada em cena do líder demissionário. Em entrevista à TVI, Luís Filipe Menezes agitou com o fantasma da cisão, caso ganhe aquilo que chamou de "candidato de facção", referindo-se a Manuela Ferreira Leite. O que esperar?
“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.
descubraasdiferencas@radioeuropa.fm
Emissão também disponível online em www.radioeuropa.fm ou através da powerbox da TV Cabo
maio 19, 2008
Sócrates na Venezuela, mais o petróleo e o Atlântico Sul
A subida do preço do petróleo está a provocar duros golpes na economia, mas vai ter ainda maiores repercussões a nível geoestratégico. Se a maior procura e menor oferta tem feito subir o seu preço, será essa mesma subida que vai permitir (já está a permitir) a extracção do ouro negro em poços cuja exploração até há uns anos não seriam rentáveis. Poços novos, em locais novos, de novas potências. É o caso da China e do Brasil, que têm feito (ou têm permitido fazer) investimentos essenciais ao desenvolvimento tecnológico dos meios de extracção. Mas também da Venezuela que, apesar de estagnada no desenvolvimento dessas novas formas de extracção, tem imenso petróleo para vender.
É aqui que a visita de Sócrates à Venezuela foi indispensável. Somos um país pequeno no canto de um continente aflito com falta de energia. Um continente demasiado virado para leste, demasiado dependente daquilo que foram as consequências do fim da Guerra Fria e que receberá de olhos abertos qualquer abertura a novos mercados. Principalmente a abertura ao Atlântico Sul.
Em Janeiro de 2007 foi publicado um artigo meu na Revista Atlântico, intitulado ‘O Novo Atlântico’ e que consistia numa análise crítica de um ensaio do Coronel Ralph Peters publicado na revista Parameters no Outono de 2003, com o nome de ‘The Atlantic Century’. O que aí se defendia era a necessidade de a Europa e os EUA se virarem para a América do Sul e para África. Virarem-se para países daqueles dois continentes que precisam de toda a colaboração no seu esforço para largar a pobreza. Países com forte influência ocidental, que não quererão concorrer com o Ocidente, mas fazer parte dele. Desejosos por pertencer a uma grande comunidade atlântica que pode ser uma oportunidade única, um meio ímpar, de a Europa e os EUA terem forças para o embate (económico, mas também civilizacional) com o Oriente.
Um virar de página para o qual Portugal só pode desempenhar um papel indispensável, devido às suas ligações com o Brasil, Angola, Cabo Verde e também a Venezuela. Um virar de página que nos deve obrigar a ter as vistas mais largas que os meros amuos com Chavez. Amuos não permitidos num país como Portugal, principalmente quando lida com a sua esfera de influência.
maio 14, 2008
maio 08, 2008
Pedro Passos Coelho
A entrevista de Pedro Passos Coelho na SIC-Notícias surpreendeu-me pela positiva. O candidato á liderança do PSD respondeu às perguntas de Ana Lourenço sem se esquivar; respondeu às questões demonstrando saber do que falava e, muito, mas muito importante, apresentou-se com um discurso diferente do que é habitual na direita portuguesa. Um discurso muito próximo do que se tem andado a pedir na blogosfera nos últimos 4/5 anos.
O PSD precisa de credibilidade e esta está toda com Manuel Ferreira Leite. A ex-ministra das finanças é competente; é de confiança e é séria. Nós sabemos ao que ela vem Mas a credibilidade na política não se resume a estes predicados. A credibilidade está muito no sentir das pessoas sobre um determinado candidato. Sobre se esse candidato representa uma mudança efectiva de políticas e se pode ser bem sucedido na sua persecução.
A credibilidade de um político está muito naquilo que ele representa e não só na sua competência. E o que é que Passos Coelho representa? Uma geração que não viveu politicamente o 25 de Abril; que está hoje a atingir o auge da sua capacidade de trabalho; aberta a outras políticas públicas que não apenas as socialistas. Uma geração já não tão marcada pelos traumas dos anos 70. Longe do comunismo, do PREC, de Otelo, das lutas universitárias de então e por aí fora em diante.
Uma das críticas que se faz a Passos Coelho é o ser novo. Mas serão 43/44 serão assim tão insignificantes? O que me assusta nele é o ser uma incógnita. Mas será que deveremos estar sempre tão agarrados à segurança e à certeza? Será que um povo que não sonha e não arrisca merece melhor que aquilo que tem?
maio 07, 2008
Como as grandes superfícies salvaram o comércio tradicional
A possível abertura das grandes superfícies ao Domingo à tarde foi marcada uma vez mais pela polémica. Entre os que a criticam estão os que lamentam a concorrência ao comércio tradicional.
Uma das diferenças entre Lisboa e outras cidades europeias é que, nestas últimas as pessoas fazem muitas compras na rua enquanto por cá se deslocam para os centros comerciais. À primeira vista, concluímos que, enquanto ‘lá fora’ se reconhece e privilegia o comércio tradicional, em Lisboa o mesmo não acontece. Mas há outra diferença muito mais subtil que não podemos menosprezar.
Quem vá ao Colombo e depois circule pelas principais artérias comerciais de Lisboa repara na diferença das lojas. Que estas não as mesmas, nem sequer são iguais. Ao contrário do que sucede em Londres, Paris e Madrid, as grandes cadeias de lojas internacionais instalaram-se nos shopping centres, não invadindo as ruas da cidade, tornando possível a preservação (contrariamente ao que genericamente se passou noutras cidades europeias) do comércio tradicional. Tal aconteceu porque as grandes cadeias internacionais, ao não abrirem lojas na rua, não inflacionaram os preços de arrendamento do espaço comercial. Houve espaço, espaço físico para todo o tipo de comércio.
É assim que cai por terra o argumento que as grandes superfícies concorrem e destroem o comércio tradicional. Tão só porque a realidade nunca é tão líquida e linear como parece ao primeiro olhar. Apesar do que tem sido dito inúmeras vezes, as grandes superfícies não só conseguem coexistir e par a par com o comercio tradicional, como o terá salvo da extinção. É assim o mercado.







