Uma das maiores inovações introduzidas pela corrente neoconservadora encabeçada por Irving Kristol foi o convencer o Partido Republicano dos benefícios da "supply-side economics", mais conhecida, entre nós, como a economia da oferta, teorizada por Jude Wanniski e que Jack Kemp explicou a Ronald Reagan.
A economia da oferta tem como objectivo essencial manter os aumentos da despesa governamental abaixo de altas taxas de crescimento económico, evitar o excesso de regulamentação da parte do governo e manter as taxas de juros em índices bastante baixos. Com isto pretende não só incentivar o investimento privado mas também sustentar o crescimento económico.
Esta inovação na política económica do Partido Republicano permitiu que este deixasse de ser o partido do controlo dos défices para defender algo mais apetecível aos americanos. Com esta linha económica venceu três eleições presidenciais consecutivas e permitiu vinte anos de crescimento económico consecutivo. Foi, podemos dizer, um sucesso.
A ironia, é que encontramos no actual governo português a tendência dos republicanos dos anos 60 e 70. Controlar a despesa pública e controlar o défice. Porquê este atraso? Porque não se incentiva a procura, aumentando a oferta do dinheiro (reduzindo-lhe o preço de custo)?
A Europa foi positiva para Portugal em muitos aspectos mas, não podemos deixar de concordar que, com o euro e a centralização das políticas financeiras no BCE, poucos instrumentos restam para que saiamos da crise.
Publicado por André Abrantes Amaral em janeiro 14, 2004 02:39 PM