março 25, 2004

Como Salvar o Capitalismo?

O Comunismo e o Socialismo assistiram, nos anos 90, ao finalizar dos seus anos dourados. No entanto, muitas críticas ainda se fazem ao sistema capitalista e liberal em que vivemos. Porquê?

Como se explica que tendo sido com o capitalismo e o sistema liberal que as condições de vida de todas as pessoas melhoraram a níveis jamais imaginados, é ele tão vulnerável aos ataques que a Nova Esquerda lhes faz?

Porque tantos entendem estar a economia de mercado errada ou ter algo de indubitavelmente errado e que deve ser profundamente alterado?

Porque, depois da queda do comunismo, a economia de mercado não surgiu triunfante, convencendo, com suas benesses, os mais críticos?

A economia de mercado, se tem como ponto forte o se guiar através das manifestações de vontade de cada um de nós, ao longo dos dias, meses e anos, tem também alguns pontos de vulnerabilidade. Um deles é o facto de, inevitavelmente, confundirmos os nossos próprios interesses, em toda e qualquer actividade comercial, com os interesses da comunidade.

A economia de mercado assenta na satisfação dos interesses de cada um de nós. Ora, esta realidade gera sempre confrontos e choques que dificilmente a todos satisfarão. Gera a necessidade de captarmos até que ponto valerá a pena transigir nos nossos interesses em nome do bem comum.

É este ponto de equilíbrio, que só se consegue obter com esforço, dedicação e essencialmente, bom senso, uma das chaves para o bom funcionamento de uma economia liberal e aberta ao livre comércio.

Todos poderão ganhar uma parte. Até que ponto estou pronto para desistir de ganhar mais do que me compete e me cabe? Parece utópico, mas acaba por ser um exercício mental que fazemos diariamente, sem dele nos darmos conta.

Para além desta dificuldade inerente à economia de mercado, existe uma outra que pode, por vezes, ser bastante traumática: A recessão. A economia, como tudo na vida, vive de ciclos, ora de expansão, ora de retracção.

Mesmo que as recessões sejam cada vez menos profundas, elas servem sempre de pretexto para criticar a economia de mercado.

Brevemente, analisaremos como a grande ofensiva contra o liberalismo económico se encontra mais na cultura anti-capitalista que na crítica económica.

A sociedade capitalista em que vivemos tem por objectivo satisfazer as necessidade comuns de pessoas comuns. Ora, o que acontece é que os intelectuais, que tanto criticam o capitalismo, não se conseguem equadrar nesta realidade, nem a querem aceitar. Eles não ligam à economia. Estão, ou supõe estar acima dos meros valores económicos. Não se querem reduzir à lógica da lei da oferta e da procura. Porque criticam a economia de mercado numa perspectiva não económica, muitos economistas sentem enormes dificuldades em os compreender.

Esta análise ficará para outra hora e outro .post..

Publicado por André Abrantes Amaral em março 25, 2004 10:00 AM
Comentários


Em geral o comentário sobre o capitalismo está correcto.O pior é quando aquela frase ,do ultimo paragrafo não corresponde bem há realidade das pessoas comuns....Aquela que diz:-" a sociedade capitalista tem por objectivo satisfazer as necessidades comuns "
A sociedade capitalista na sua concepção teorica será assim , sem duvida , mas os que estão a brincar ao faz de conta que somos capitalistas ,aqui em portugal ,não sabem dessa premissa .

Afixado por: André em março 25, 2004 11:13 AM


Que horror !O comentario anterior é meu,annie hall ,não do Andre!Isto dos computadores terem tantos botões dá origem a trocas de opnião gravissimas !Espero que a correção segue a tempo :)

Afixado por: annie hall em março 25, 2004 11:15 AM

Andres,
I am here and trying my best to interpret. The "babel fish" interpreter helps some, but some words and phrases it can not translate, and also, romance languages and the like have sentences constructed much differently than Germanic languages such as English. All that aside I think that I am hearing that some people are impatient with the notion of capatalism, particularly when the cycle is on the downswing. At those times it is easy to think that socialism or communism was a better answer for the intelligencia community in particular. Just tell them to look to America. We have the highest standard of living in the world. We are only a bit over 225 years old, one of the "youngest" countries on the planet. How did we do this? Yes, we have a hard work ethic (partly created by capitalism, but that is for another post!), and we have freedom to create, to invent, but most of all we have less government control over people's money. (Though it has gotten more so as time has gone on, our Internal Revenue Service is a travesty.) Overall, though, capitalism works because it will by definition meet the needs of the most people the best. In this system the people drive the market, their consumer choices create competition in those areas that they are demanding it, it creates a drive for a supply. Yes, it cycles, but we still haven't found anything better, or more fair.

Afixado por: Kerry Dupont em março 25, 2004 01:32 PM

Se oensarmos um puco é precisamnete assim.
Abraço

Afixado por: whiteball em março 25, 2004 02:28 PM

O que outrora se entendia como o bem estar e progresso social foi "relativizado" pela esquerda. Ela passou a dar valor a outros aspectos da sociedade, os quais não poderiam ser, a priori, oferecidos pelo capitalismo e, ao mesmo tempo, pôs de lado os aspectos impossíveis de serem atingidos com o socialismo (o progresso econômico, por exemplo).

Afixado por: Márcio Gama em março 25, 2004 11:19 PM

Sobre economia: há por ai alguns capitalistas que dizem "temos que ler mais aquele gaijo, se não fossem aquelas duas ou tres ideias comunistas..." ... falavam sobre Marx.
Isto é, não pensa a esquerda também em termos económicos. Isto é, não foram as primeiras grandes teorias económicas oferecidas ao mundo por Marx e outros pensadores de esquerda (incluindo anarquistas). Só para dizer que economia não é tudo... Não é nada mesmo. Mas não é um atributo capitalista o ter ideias sobre economia.

Falas muito na queda do comunismo e socialismo..., falas muito na nova esquerda... SERÁ essa nova esquerda aquela que é representada pelo majestoso Tony Blair (partido trabalhista)... Sim tens razao... essa esquerda esta morta... pelo menos em termos de ideias. Porque a outra, parece-me que estara bem viva... ou não ocupasses tu tanto tempo a querer caracterizá-la (e muito mal mesmo) e apontar todos os defeitos (aqueles que tem, aqueles que não tem... e aqueles que só estão na tua cabeça).

Bem... dizes tu que foi com o capitalismo que o nivel de vida de todas as pessoa melhorou: MENTIRA. Foi com a tecnologia e com a ciência. Sem elas acredita que com o medelo de vida nos ultimos séculos... não estariamos aqui de certeza.
Mas já agora... melhorou onde: Africa???? sim para os Josés Eduardos dos Santos, para os Kabilás e demais compinchas. Melhorou na américa latina???? e na ásia???
Sabes que em áfrica (dados de 1996, agora talvez seja pior) morriam 4mil crianças por dia... só de fome!!! Melhorou a vida para estes??? ´Sabes, todo os dias vão abaixo várias Torres Gémeas em áfrica. Terrorismo??? Consegue ser pior não??? Afinal é a criança o simbolo máximo da inocência no mundo em geral...

Aconselho-te que a próxima viagem que faças seja á américa latina (ou ásia ou áfrica) mas não para os paraisos turisticos (essas grandes obras primas do capitalismo)... e depois pensa novamente sobre a vida.

Também espero que saibas que a europa saqueou (durante 500 anos... incluindo seculos com esse modelo de vida, que é o capitalismo... que nos deu esse novo deus - O DINHEIRO) alguns continentes... e continua. Em prol do meu, do teu e de todos os demais capitalistas, bem estar. E tambem deves saber que em metade do tempo, na sua curta existência, os EUA possivelmente já terao ultrapassado o valor desse saque. Tudo em prol dos ocidentais... aqueles que a todo custo não podem ver a sua forma de vida destruida.

E para finalizar... há coisas bem mais belas... que a LEI DA OFERTA E DA PROCURA...

Afixado por: omar em março 25, 2004 11:32 PM

Da teoria à prática vai um fosso enorme. O teórico de esquerda agarra-se desesperadamente às teorias do Marx e Mao para se convencer e convencer os outros que encontrou a poção mágica da felicidade. Em teoria e em retórica saem sempre vencedores e têm sempre razão...

Quando verificamos a aplicação prática das teorias que defendem, aí começam as dificuldades.
Que tipos de economia e de regimes têm os países mais desenvolvidos do mundo?
Em que países está mais implantada a democracia?
Em que países (apesar de tudo...) os direitos humanos são mais respeitados?
Por fim em que país vive? E se vive num desses países capitalistas de que não gosta, porque não vai viver para Cuba ou para a Coreia do Norte?
O Capitalismo e a Economia de Mercado são sistemas ainda em evolução e não são aplicados de forma igual em todos os países.
Mas está mais que provado que são os regimes que mais felicidade trazem aos seus povos. Ao contrário, os regimes comunistas desagregaram-se (URSS e parceiros do Pacto de Varsóvia) e vêmo-los rápidamente e com bastante êxito a aderir aos regimes que vigoram na Comunidade Europeia.
A China vai fazendo experiências com Xangai e Hong-Kong, muito interessada no Capitalismo. Mas fará a transição durante meio século ou mais.
Até em África (caso de Moçambique) inicialmente com um regime marxista-leninista que levou a país para o 3ºlugar mais pobre do Mundo, rápidamente mandou o Comunismo-Socialismo às urtigas e enveredou pelo Capitalismo e Economia de Mercado, apesar de não estar preparado para isso e poder ficar dependente das multinacionais.

Em Portugal, todos aqueles que aplaudiram o Vasco Gonçalves e as medidas do Prec, que tinham uma devoção pela URSS e pela palavra de ordem difundida pelo Avante, sentem-se orfãos e recusam-se a acreditar que aquela ideologia caíu de podre. Agora resta-lhes fazer crer que a outra também não presta e vai cair em breve.
Não vai. Vai humanizar-se, e moldar-se à maneira de ser de cada povo. E a Europa irá ser no futuro uma potência de Democracia e Liberdade à custa do Capitalismo e da Economia de Mercado, por mais que isso lhes dôa.

Afixado por: Carlos em março 26, 2004 12:53 AM

Concordo com o que está escrito. No entanto este post é na sua maioria inspirado num artigo de Irving Kristol dos anos 70.
Não sendo a primeira vez que neste blog expõe ideias desse pensador e pai do neo-conservadorismo, creio que seria correcto da sua parte começar a mencionar a bibliografia que usa para escrever estes posts.

Afixado por: JB em março 26, 2004 04:23 PM

Caro JB,

Neste blogue estão contidas as minhas opiniões.

Nos meus 'posts' não escondo a influência de Kristol, mas a influência e não, creia-me, a sua essência.

Sempre que, nos meus 'posts', pouco ou nada acrescento da minha parte, menciono as minhas fontes. Tal sucedeu no 'Fim do Almoços Grátis' que escrevi em 11 de Março, em que expus a opinião de Robert J. Samuelson contida num seu artigo publicado na Newsweek de 8 de Março.

O mesmo se passou nos dois ou três textos em que referi Fareed Zacaria. Fi-lo por me ter limitado a expor os seus pensamentos e pontos de vista.

Não me considero um génio, nem descobri a pólvora. Tudo o que escrevo é fruto do que li e aprendi, lendo autores que acabaram por me ensinar sem desse facto se terem dado conta.

Há quem mencione autores sem nunca os ter lido devidamente. Não é esse, nem nunca será, o meu feitio.

O 'post' é o primeiro de uma série sobre este tema que pretendo desenvolver. Assim, nos que virão, há-de encontrar outras influências.

Fica, de qualquer forma, o agradecimento, lamentando apenas que, a julgar como julgou, não tenha tido, antes do mais, o cuidado de me enviar um mail expondo a sua observação. Teria, em meu entender, sido mais amável.

Afixado por: André em março 26, 2004 05:17 PM

vai-te foder

Afixado por: raquel em abril 26, 2004 04:58 PM

não gostei deste comentario pelo facto disto tudo ser uma grande merda

Afixado por: raquel em abril 26, 2004 05:02 PM