
Mesmo que Arafat não morra nos próximos dias o certo é que acabou politicamente. É importante referir, antes de se ler o que adiante se segue, que nunca gostei do líder da OLP. Posto isto, a questão que nesta hora gostaria de ver discutida era a de se saber porque Arafat sai de cena sem que a Palestina chegue a existir. Na minha opinião, a razão prende-se essencialmente com o facto de Arafat ter cometido o erro em nunca ter aceite a existência de Israel. É certo ter o líder Palestiniano lutado pela Palestina, mas não deixa de ser verdade que quis essencialmente o fim de Israel.
Quando, em 1948, foi criado o Estado Judaico, os povos árabes viviam (ou começavam a viver) uma época de forte sentimento nacionalista que mais tarde deu origem aos regimes de Nasser, Assad e Saddam. De acordo com esse nacionalismo crescente, a Palestina era terra árabe e o surgimento de Israel consistia num último acto colonizador do mundo ocidental. O ocidente saía do mundo árabe, mas deixava uma pedra, uma autêntica pedra no sapato.
Arafat, sempre acreditou ser possível acabar com Israel. Enganou-se. Tivesse ele lutado pela Palestina, como Ben Gurion lutou por Israel e seria agora um presidente respeitado. Preferiu o outro caminho. Quis ser terrorista, conseguindo aqui um feito extraordinário que foi o ser recebido por todos os chefes de Estado. Ninguém lhe negou abrigo. Ninguém lhe virou costas. Todos o ouviram e todos lhe deram várias oportunidades. Nunca as aproveitou. Foi recebido pelo Papa, na Casa Branca e nas principais cidades europeias. Foi aclamado pelo seu povo que nunca percebeu ter, por ele, sido constantemente enganado. Arafat foi um autêntico príncipe do terror.
Com ele a paz jamais seria possível. Sem ele será difícil, mas a esperança, essa, nunca se baseia em facilidades. E nestes dias, ela surgiu de novo.
P.S.: A confirmar-se Arafat como o 9.º governante mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em cerca de mil milhões de contos, não posso deixar de concluir que Arafat foi, além de um príncipe, um ladrão.
Publicado por André Abrantes Amaral em novembro 10, 2004 04:15 PMDeram-lhe o prémio nobel da paz ...
Afixado por: annie hall em novembro 10, 2004 06:40 PMA fortuna de Arafat só o faz mais parecido com os ditadores mais negros da história da humanidade.
Afixado por: Jazzy em novembro 11, 2004 09:20 AMOuvi daqueles programas deprimentes na rádio em que telefonam pessoas a dar opiniões. Para minha surpresa, cerca de metade das pessoas criticava Arafat, o terrorismo, a sua imensa fortuna pessoal e um deles até falou do nascimento egipcio do "príncipe".
Claro que a outra metade falava dum homem bom, dos israelitas fascistas, do Bush maldito. Um deles até dizia que o terrorismo se justificava...
Surpresa porque imaginei que quase todos fossem deste último grupo. Afinal ainda somos um povo moderado...
Afixado por: Mário em novembro 11, 2004 11:26 AMBem dito. As verdades são para se dizer. Em qualquer altura...
Afixado por: Peixoto em novembro 11, 2004 03:17 PMMário, também me tenho espantado por ouvir tanta gente a dizer mal de Arafat. Afinal, a memória não é assim tão curta.
Afixado por: André em novembro 11, 2004 04:16 PMA memória não é curta e a história "de agora" não se faz "hoje". Que não haja os "tais complexos" em se dizer a verdade!
Afixado por: Tia G em novembro 12, 2004 06:29 PM