Encontra-se à venda nas nossas livrarias, há já alguns meses, uma nova biografia de Winston Churchill, o primeiro ministro que levantou a moral dos Britânicos e lhes deu a esperança necessária para vencerem o nazismo.
É normal que nos recordemos deste grande estadista e procuremos nele a inspiração necessária para os tempos difíceis e incertos que atravessamos. No entanto, existe uma outra personagem mais importante que Churchill e muitas vezes esquecida: Franklin Delano Roosevelt.
Quando Estaline, Churchill e Roosevelt se encontraram na conferência de Yalta, três perspectivas estavam em confronto: a comunista, a colonialista e a universalista. O comunismo e o colonialismo terminaram e a ordem mundial que vivemos foi a defendida por Roosevelt. O presidente dos EUA era um optimista. Preparou a economia da América para a segunda metade do século XX, libertou a Europa e proporcionou 50 anos de paz e democracia. As liberdades saídas das revoluções do século XVIII espalharam-se, enfim, por todo o mundo ocidental. O elogio a Franklin Delano Roosevelt é sempre indispensável e dá-lo a conhecer, nestes tempos, imprescindível.
Publicado por André Abrantes Amaral em janeiro 20, 2004 12:04 PM | TrackBackPegando no que disse CAA, o problema não se resumiu a Ialta nem à senilidade de Roosevelt. Churchill acabou por reconhecer que combateram the "wrong bastard". A obsessão por não deixar a Alemanha por-se em bicos de pé foi o que fez a Grande Guerra continuada depois na segunda pelo fanatismo de Hitler, a quem deram uma boa causa (o tratamento, injustiça, hipocrisia da WWI). Hitler tinha eleito os Sovieticos como o inimigo a combater e é possivel tecer a hipotese, que tivessem a França e Inglaterra ficado quietos a seguir à Polonia, e Hitler tinha avançado para Estaline e ambos provavelmente iriam aniquilar-se mutuamente. Tal como na WWI, foi um anti-germanisnmo obsessivo que levou a que se rejeita-se por completo a esperança dos Alemaes em não ter uma guerra a Oeste para poder perseguir a Leste. A esto erro é preciso juntar a recusa quer de Inglaterra quer dos EUA a receber os Judeus que serima expulsos da Aleamanha. enfim, o homem não é perfeito e muitas decisões, principalmente dos politicos, são marcadas por vezes por desejos de actos heroicos e que marcam a historia mas cujas consequencias sãi imprevisiveis.
Quanto a Roosevelt, provocou o Japao e entrou em Guerra para poder entrar na WWII. Ainda assim, tal como na WWI, os americanos só aparecem na Europa, no 4º ano de guerra.
Os grandes louros da derrota nazi devem-se à URSS. Sou anti-estalinista mas não posso deixar de reconhecer a realidade. Repugna-me muitos processos e estratégias de Estaline em torno da II Guerra mas não posso deixar de reconhecer a realidade. Foi a URSS que parou as sucessivas vitórias dos nazis e que inverteu essa situação. Os EUA só entram na Europa quando a URSS ia de vitória em vitória a caminho da Alemanha. Tenho a sensação que se não houvesse este facto a pressionar os EUA nem tão cedo que tinham entrado na Europa.
Afixado por: realidade em janeiro 22, 2004 01:33 PMCaro André,
Não posso concordar com a sua afirmação de que Roosevelt "preparou a economia da América para a segunda metade do século XX".
Hoje, conhecem-se as consequências do mito do "New Deal": prolongou a Grande Depressão.
O Michael Oakeshott já sugeriu o livro ("FDR's Folly, How Roosevelt and His New Deal Prolonged the Great Depression").
Agora, sugiro-lhe uns artigos do autor:
- "Tough Questions for Defenders of the New Deal"
(http://www.cato.org/research/articles/powell-031106.html)
- "Should We Try Another New Deal? (http://www.cato.org/dailys/11-26-03.html)
- "Why Did FDR's New Deal Harm Blacks?"
(http://www.cato.org/dailys/12-03-03-2.html)
- "How FDR's New Deal Harmed Millions of Poor People"
(http://www.cato.org/dailys/12-29-03.html)
Cumprimentos
BZ
Mantenho a minha posição inicial e, sem petulâncias, julgo que a resposta do André a reforçou.
No famoso discurso de Chulchill, em 1946, quando introduziu a expressão "iron courtain", está implícita a sua crítica a Ialta.
Tenho o livro de Jim Powell. apesar de não ir ao fundo da questão (de facto, Roosevelt estava quase senil), alinha na mesma posição.
CAA
Afixado por: CAA em janeiro 21, 2004 07:11 PMEm resposta a Michael Oakeshott,
Apenas em parte me referi à política económica de FDR. Boa ou má, ela resolveu alguns problemas da América dos anos 30 e apenas Reagan, com a influência dos neoconservadores, conseguiu dar-lhe a volta.
Afixado por: André em janeiro 21, 2004 06:01 PMMeu caro,
O ano passado saiu um livro de Jim Powell, ver:
http://www.amazon.com/exec/obidos/tg/detail/-/0761501657/ref=pd_sim_books_5/104-2601914-1755124?v=glance&s=books
que refuta muita (toda...) da aura económica do New Deal de FDR. Devo referir que ainda não li o livro, mas todas as críticas que tenho visto são unânimes na validade do mesmo.
Quanto à libertação da Europa, não há dúvida que foi fundamental. Mas as razões de entrada na Guerra não são tão óbvias como as que o Zecatelhado faz crer: há quem diga que FDR queria entrar na Guerra (razões geo-estratégicas de aumento de influência a nível global), mas não tinha argumentos para convencer o país - o ataque a Pearl Harbor foi apenas o pretexto necessário...
Cumprimentos.
Em resposta ao CAA:
É um facto que Roosevelt estava fisicamente enfraquecido em Ialta. Mas não deixa de ser verdade que o mundo depois da 2.ª GG pouco tinha a ver com Churchill.
Churchill, por variadíssimas vezes, chamou a atenção aos americanos para o perigo soviético, mas também não deixa de ser verdade que a ordem internacional que vingou (dentro do possível) foi a do Presidente norte - americano.
Aliás, não podemos esquecer que Churchill chegou a negociar com Estaline e sem o conhecimento dos americanos a entrega do leste da Europa aos soviéticos. Ele tinha noção do perigo mas sabia que, por ora, pouco havia a fazer.
O combate aos sovietes estava a começar.
Ainda há a dizer que Roosevelt vendeu cara a intervenção do seu país na guerra. Ele praticamente exigiu o que se deu mais tarde: a descolonização e o fim dos impérios europeus.
Em resposta ao Zecatelhado:
Levou tempo à América para entrar na guerra, mas entrou e, ajudando os ingleses, venceu.
Foram ambos importantes.
Não tem muito a ver com o assunto, é só uma curiosidade, mas ontem, por casualidade, vi num telejornal o papagaio do Churchill. Com mais de 100 anos ainda dizia palavrões contra o Hitler...
Afixado por: Nilson em janeiro 21, 2004 02:41 PMO pobre até era bom rapaz, e teve boas intenções, que diabo...
Afixado por: whiteball em janeiro 21, 2004 12:16 PMNão concordo. Ialta foi um erro terrível para os países livres e o único vencedor foi Estaline.
Sabemos hoje que Roosevelt estava diminuído fisica e intelectualmente na altura, embora tal facto fosse bem camuflado. Churchill ficou a falar sozinho.
Foi graças a Ialta que se deu a cortina de ferro, mais tarde, a guerra fria e os 44 anos de tirania que tantos países europeus padeceram.
CAA
Afixado por: CAA em janeiro 21, 2004 05:11 AMQue Europa é que ele libertou?
Se os E.U.A. não tivessem sido empurrados para a guerra pelo Japão, não mexiam uma palha em defesa da Europa.
Um abração do
Zecatelhado