Começo hoje, como prometido, uma série de 'posts' sobre as vantagens e desvantagens das consequências da globalização. Falo das consequências e não da globalização em si, por entender que esta, fruto dos tempos que vivemos e do desenvolvimento tecnológico a que assistimos, ser inevitável.
De nada serve, pois, discutir se devemos ou não aceitar um fenómeno que se encontra fora do nosso controle. O que se deve procurar é saber quais as vantagens e desvantagens da globalização e tentar tirar, desse conhecimento, melhor proveito possível.
Começo hoje por uma afirmação que muito se houve da parte do anti-globalistas: O mercado livre empobrece, ainda mais, os países do Terceiro Mundo?
A meu ver esta ideia corresponde a um dos maiores mitos da globalização e dos mais difundidos pelos anti-globalistas.
No entanto, nada há de mais errado. Senão vejamos.
Os países que conseguiram reduzir drasticamente a pobreza são aqueles que alcançaram rápidos crescimentos económicos que foram consequência imediata da abertura dos seus mercados ao comércio internacional.
Países e zonas comerciais como a Coreia do Sul, Taiwan, Singapura vivem agora praticamente libertas do mal que é a pobreza porque abriram os seus mercados há quatro décadas atrás. Vivem hoje os benefícios resultantes de acertadas decisões tomadas no passado.
Em contraste, a Índia, que procurou resistir à inevitabilidade da globalização, teve durante o mesmo período um crescimento económico muito pequeno.
O comércio livre conduz, de forma inevitável, ao crescimento económico. Por três razões. Primeiro porque cria emprego, segundo porque o rápido crescimento dessas economias leva ao aumento das receitas fiscais (existem mais impostos para serem pagos) e em terceiro lugar pela razão das famílias mais pobres, que encontram empregos, poderem finalmente começar a usufruir de serviços como a educação e a saúde com os inevitáveis e óbvios benefícios que tal acarreta para uma sociedade entendida no seu todo.
Um estudo do Banco Mundial aponta, nos países em vias de desenvolvimento, para a redução da pobreza dos 28% em 1987 para os 23% em 1999. Período que coincide com o alargamento e o aprofundamento do mercado livre.
Para mais, estudos levados a cabo pelos economistas Surjit Bhalla em Nova Dheli e Xavier Sala-i-Martin na Columbia University demonstram a existência de menos 50 milhões de pobres em todo o mundo durante eese mesmo período.
Pergunta que se coloca: Porque existe tanta falsidade de argumentos quando se fala da globalização?
Nos finais do século XVIII, princípios do século XIX a direita representava a manutenção do Antigo Regime enquanto as pessoas que defendiam a liberalização e democratização das sociedades eram entendidas como sendo de esquerda. Os conservadores da época defendiam um mundo que não tinha razão de ser.
Actualmente assistimos à mesma realidade. Os actuais anti-globalistas defendem o socialismo que, só tendo surgido no século XIX, não tem razão de ser no nosso tempo. Sempre se viveu (até ao séulo XIX) sem socialismo. Podemos muito bem recomeçar a reviver se ele.
A não aceitação do mercado livre internacional está a levar muitas pessoas a cerrarem fileiras de resistência a um fenómeno que é, como já referi, inevitável. A História demonstra como perante novas realidades existem sempre grandes resistências. Só tal poderá explicar o porquê de tanto receio pelo livre mercado global.
Engraçado como prometido iria citar vantagens e desvantagens sobre globalização e no fim citou-se somente vantagens. O que está implícito nas atitudes globalizantes é a dominação, a competição, a descaracterização das culturas locais, o mercado como soberano, a desvalorização do ser humano, a criação de novos paradigmas que justifiquem a realidade contemporânea. A globalização apresenta características especiais que impulsionaram esse processo, tais como a revolução da informática que proporcionou aos donos do poder uma extraordinária capacidade de informação, a organização de um sistema financeiro internacional de acordo com as exigências da economia capitalista mundial e das determinações dos países dominantes, as relações econômicas globais são influenciadas pelas exigências das empresas, corporações ou conglomerados multinacionais, o idioma inglês se transforma na língua universal e principalmente o neoliberalismo adquire força mundial como ideologia e prática. Essas características configuram a sociedade universal, realizando o deslocamento das coisas, pessoas e idéias, provocando uma desterritorialização generalizada.o espaço se globaliza, mas não é mundial como um todo, senão como metáfora. Todos os lugares são mundiais, mas não há espaço mundial . Quem se globaliza, mesmo, são as pessoas e os lugares.Um dos efeitos da globalização é o contínuo e progressivo abalo das estruturas nacionais, que limita o âmbito de ação dos Estados Nacionais, portanto, limita o seu poder de impor políticas; tornando o Estado um mero coadjuvante e executor de políticas impostas por instituições financeiras internacionais. Se o Brasil realmente se preparasse para atuar na globalização que é inevitável concordaria em vantagens, mas se preparar é o único defeito do Brasil. Talvez o único e imprescindível fator.
Afixado por: Sérgio Cardoso em junho 23, 2004 02:03 PMA GLOBALIZAÇÃO É AQUEBRA DE BARREIRAS ENTRE OS POVOS NA QUESTÃO CULTURAL, ECONÔMICA E FINANCEIRA.MAS NA REAL, A GLOBALIZAÇÃO É O CAPITALISMO PURO, ONDE EXISTE MUITA DESIGUALDADE SOCIAL E POBREZA.
idiota
OS PAÍSES ASIÁTICOS TIVERAM E ALCANÇARAM UM RÁPIDO CRESCIMENTO NÃO COM ABERTURA DOS SEUS MERCADOS PARA O OCIDENTE, MAS COM ABERTURA DE SUA ECONOMIA AO MODELO JAPONÊS ASIÁTICO DE PADRÃO MEIJI-BISMARCKIANO, ONDE O MERCADO É METODICAMENTE ORIENTADO AOS INTERESSES SOCIAIS,UTILIZANDO-SE DELE PARA ALCANÇAR OBJETIVOS MAIS SOCIAIS E COLETIVOS DO QUE INDIVIDUAIS E AUTORITARIOS, COMO É VISTO NO MODELO ANGLO-AMERICANO. SE VÊ NO ENTANTO QUE O BRASIL DE FATO, PRECISA SE ORGANIZAR PARA O PROCESSO GLOBAL,COMO A ALCA, MAS É PRECISO REVER, DISCUTIR E ACRESCENTAR PROPOSTAS PARA A CRESCENTE DESIGUALDADE SOCIAL NA AMÉRICA LATINA, NUMA NOVA REORDENAÇÃO DA DIVISÃO DO TRABALHO.
Afixado por: ERINALDO MAUÉS em abril 6, 2004 07:59 PMO que eu vou falar não tem muito haver, mas apartir do momento em que o ser humano é racional, tudo é possível: falsidade, invenções, upgrades e etc. O conceito que realmente importa para os criadores da globalização sempre foi e sempre será o dinheiro e seu umbigo.
Afixado por: Oliver em março 10, 2004 01:54 AMNão me parece que seja possível, nem credível, dizer que a abertura de países ao exterior faz com que estes alcançem um maior grau de desenvolvimento.
Aliás, caso se estude a história dos Países desenvolvidos, vê-se que o seu crescimento económico esteve associado a uma política proteccionista, o que não impede o contacto com o exterior, obviamente.
O que os movimentos anti-globalização contestam é a abertura selvagem dos mercados, sem qualquer preparação prévia. Isso faria com que os países ricos, com muito melhor tecnologia/capital/mão-de-obra, tivessem acesso livre aos mercados internos dos PVD, aniquilando completamente as empresas aí existentes.
Tem toda a razão em dizer que a globalização é inevitável. Os países têm que se preparar para ela, mas isto não implica ceder cegamente aos interesses da OMC.É preciso antes adquirirem uma vantagem competitiva que lhes permita sobreviver em regime de mercado aberto.
Como é possível pedir aos países subdesenvolvidos para abrirem os seus mercados, quando os EUA e a Europa continuam com políticas altamente proteccionistas nos sectores em que os PVD´s poderiam ter alguma vantagem?
Quanto à Coreia e restantes tigres asiáticos, o seu desenvolvimento foi impulsionado por uma série de factores (tipo de mão de obra, proximidade do japão, incentivos estatais), sendo no mínimo erróneo dizer que o seu desenvolvimento se deve à sua abertura ao exterior.
O socialismo foi proposto exactamente como alternativa ao Mundo existente até ao século XIX. Não que o ache um sistema correcto e funcional, mas parece-me de louvar tendo em conta que o mundo até lá (e agora) esteve tudo menos bem.
Seu blogue é excelente! Quanto a discussão sobre globalização e intransigência da Esquerda acerca da abertura dos Mercados, continuemos a fazer nossa parte: alertar o povo para os riscos de dar ouvidos (e votos) a quem só tem promessas efêmeras, e não sólidos projetos políticos (redução da burocracia estatal) e econômicos (redução da intervenção estatal a níveis mínimos).
Parabéns pelo excelente trabalho de divulgação virtual das posturas liberais.
Libertas, Brasil
Afixado por: Libertas em fevereiro 10, 2004 03:29 AMConcordo consigo. Efectivamente, mais do que uma opção, a globalização é uma inevitabilidade.
É pena é que ainda possamos assitir a discursos anti-globalização de personalidades políticas de renome, que em relação a este fenómeno, deveriam abandonar as ideias retrógadas da esquerda ortodoxa e perceber que a abertura dos mercados ao comércio é, a par da instauração da democracia e da liberdade de expressão, um vértice do mesmo triângulo do desenvolvimento.
Aí temos os exemplos dos quatros "tigres" asiáticos para nos fazerem ver isso mesmo: Coreia do Sul, Taiwan, Singapura e Hong Kong.