Muito se tem discutido na blogoesfera acerca da guerra do Iraque, da questão Israelo-Palestiniana, da Administração Bush e de todas as modificações a que temos assistido nos últimos anos, Portugal (com o governo de Barroso) incluído.
A resposta da Nova Esquerda à reacção americana chocou e continua a chocar um grande número de pessoas. Choca-lhes a sua insensibilidade porque não percebem como é possível ser-se tão frio e calculista nas análises que fazem. A Nova Esquerda não quer que os EUA se defendam. Antes apontam o dedo para os erros que os norte-americanos cometeram no passado e que agora estão a pagar.
É necessário perceber o que está por detrás da Nova Esquerda (aqui na blogoesfera representada essencialmente pelo Barnabé e o Blogue de Esquerda) para que se compreenda quais os seus reais intentos e objectivos políticos.
A principal característica da Nova Esquerda é o não pensar em termos económicos. A Velha Esquerda (que alicerçou ideologicamente a URSS) defendia a centralização planificada da economia e perdeu o seu combate com a ideologia burguesa e liberal, principalmente devido aos brilhantes contributos de Friedrich Hayek e Milton Friedman.
A Nova Esquerda surgiu então em substituição da Velha Esquerda e trouxe para o debate político a brilhante inovação de não pensar em termos económicos. Não pensar em termos económicos é dizer que existem coisas mais importantes que a economia, o crescimento económico, o aumento do consumo, enfim a satisfação pessoal (entendida do ponto de vista económico).
Com esta inovação subtil, a Nova Esquerda, sem que nos apercebamos à primeira vista, afasta, coloca de parte e chega mesmo a discordar com a ideia de bem comum que temos de sociedade.
A Velha Esquerda queria o bem comum e entendia-o da mesma forma que os liberais. A diferença estava na forma de o alcançar considerando que o melhor caminho era o da planificação da economia. A Nova Esquerda não entende o bem comum da mesma forma. Para eles o bem comum não é o bem estar económico.
Assim se entende melhor o ‘post’ de José Mário Silva lamentando o fecho de uma livraria francesa em Lisboa e culpando a capitalismo global do facto. Assim se percebe porque desprezam o crescimento económico norte-americano. Assim se compreende o discurso de Louçã e as suas preocupações com a liberalização da droga e a questão do aborto. Desta forma se explica o falhanço económico do governo de Guterres. A economia não é o mais importante, pois, ela não satisfaz o bem comum.
Os economistas, ao contrário do que fizeram com os comunistas e socialistas, pouco conseguem argumentar, por não entenderem as premissas de que parte esta Esquerda.
O que a Nova Esquerda pretende é alterar a nossa sociedade como um todo. Amanhã tentarei explicar porque, com esta explicação, é tão fácil compreender as suas constantes críticas à América, a Israel, às políticas económicas liberais e aos governos de direita como sejam o de Durão Barroso e de Aznar. Veremos como é simples entender, porque se ri interiormente com os atentados bombistas em Israel e no Iraque tal como, sem nunca o dizer, sente uma certa satisfação de vingança com o que se passou no dia 11 de Setembro de 2001.
Procurarei ainda explicar porque quase todos os movimentos ‘Verdes’ são de esquerda e qual a razão para que muitos intelectuais se assumam como anarquistas de esquerda.
Primeiro queria-te dar os parabens pela criação de mais um conceito: a nova esquerda!!! Só gostava é que me desses o nome de uma só pessoa que a represente... Estaás com alguns fantasmas na tua cabeça....
É me impossivel tecer uma só critica a este texto... simplesmente o surrealismo não é uma area do meu grande conhecimente. Só estas fora do tempo, porque o surrealismo como genero literário já sucumbiu á unsw certos anitos... ou estará de volta... assim como o fascismo!!!!
Caro José Mário Silva,
Nestes meus 'posts' pretendi chamar a atenção que os fundamentos da nossa actual civilização liberal são o indivíduo e as suas escolhas individuais.
Ora, esta concepção que os liberais têm da sociedade não é a mesma da Nova Esquerda.
É natural que a Nova Esquerda pretenda uma alteração desta realidade. Nada há de mal em assumir tal facto. Destruir pode ser uma expressão demasiado forte, se preferir, utilize 'desmantelar', 'mudar' ou até mesmo 'alterar'.
Eu sei que o texto em itálico é de outra pessoa. O que mencionei foi que, com os argumentos que apresentei se entendia melhor o seu 'post'. E o 'post' é seu.
Afixado por: André em fevereiro 18, 2004 04:41 PMCaro André:
Nem sequer vou comentar a grandiloquência do título deste post (caramba, acha mesmo que seríamos capazes de destruir a «civilização ocidental liberal»?) ou a má-fé repetida pela enésima vez (a de que nos rimos «interiormente» dos atentados em Israel e sentimos uma «satisfação de vingança» com o 11 de Setembro).
Gostava só de lhe fazer ver que o post que me atribui está assinado por outra pessoa, um "itálico" chamado Rui Santos. Não fui eu que escrevi aquele texto.
Infelizmente, o rigor com que cita outros blogues parece ser o mesmo com que tece estes desajeitados comentários sobre a Nova Esquerda, um assustador fantasma que só existe (garanto-lhe) na sua cabeça.
Caro André, não sei se esta será uma Nova Esquerda ou antes uma Sub-esquerda Radical, que pretende à luz de conceitos como a liberdade e a solidariedade, "matar" tudo o que o liberalismo económico e a livre-concorrência, não só de capital, mas também de ideias, têm proporcionado às Nações democráticas e livres.
Esta Sub-esquerda tenta aliciar a juventude para uma forma de estar na vida que em nada se coadugna com o estabelecimento de regras que têm por base o civismo, a responsabilidade e a defesa de valores vitais a uma sociedade próspera e adulta...
Excelente análise.
Afixado por: jcd em fevereiro 17, 2004 06:04 AMExcelente! Tenho andado afastado da blogosfera nestes últimos dias e posso dizer que ler um post como este me faz pensar o que terei perdido durante esta ausência...
Afixado por: Michael Oakeshott em fevereiro 16, 2004 09:43 PM