fevereiro 18, 2004

A Nova Esquerda e a sua Tentativa em Destruir a Civilização Ocidental Liberal – Terceira Parte

Ontem tentei explicar porque considero que a Nova Esquerda tem uma visão e perspectiva da sociedade bastante diferente daquela que surgiu com as revoluções liberais dos séculos XVIII e XIX.

A Nova Esquerda não acredita na impossibilidade de previamente se definir o que constitui a felicidade dos outros. Para os pensadores liberais, esse conhecimento só se revela através dos comportamentos, das escolhas, que os indivíduos fazem no mercado livre.

A Nova Esquerda não acredita, nem parte deste princípio. Acontece que ele é o ponto fulcral da sociedade liberal e ocidental em que vivemos.

A Nova Esquerda pretende destruir, ou caso se entenda ser ‘destruir’ uma expressão muito forte, pretende mudar, alterar e até mesmo substituir os fundamentos liberais em que assentamos.

Compreendendo este pressuposto, já se percebe porque todas as pessoas de esquerda atacam, sem mais, todas e quaisquer políticas norte – americanas. Porque estão sempre de ‘armas‘ apontadas para os EUA. As pessoas de esquerda não gostam da América pois ela representa o auge da sociedade liberal, da crença no indivíduo e nas liberdades individuais.

Sejamos francos. Hoje a esquerda crítica Bush. Amanhã criticará Kerry ou qualquer outro democrata que ascenda à Presidência dos EUA tal como ontem criticou Clinton.

Também se entende porque a esquerda, toda a esquerda critica Israel. A Esquerda até pode estar do lado do povo Palestiniano. Acontece que, a sua principal preocupação é o Estado Judaico pois, ele é entendido como uma imposição liberal e capitalista.

De igual forma se explica porque a grande maioria dos movimentos ‘Verdes’ são de esquerda. Na verdade, estes movimentos ditos ecológicos, não se preocupam o suficiente com o meio ambiente. Pretendem apenas um ambiente à sua maneira, com as prioridades pré-definidas e não determinadas pelo indivíduo. Qualquer pessoa consegue provar que um meio ambiente saudável é essencial ao bem estar e desenvolvimento económico. Da mesma forma, qualquer economista consegue demonstrar como tiramos proveito de uma política ecológica capaz. Não é preciso ser de esquerda para defender a floresta e acreditar na limpeza dos rios e dos mares.

Da mesma maneira, não é difícil discernir porque toda a esquerda é contra a globalização. Já aqui tentei demonstrar como a globalização traz vantagens económicas a todos os países incluíndo os mais pobres. A globalização é uma consequência normal e natural do desenvolvimento tecnológico das sociedades liberais.

A esquerda é contra a globalização pois ela é (permitam-me a expressão) o ‘supra-sumo’ das sociedades capitalistas e liberais.

A Nova Esquerda aproveitou o marasmo de ideias que foram os anos 90 para se organizar. Está em franco desenvolvimento no nosso país. Ela é representada pelo Bloco de Esquerda e por parte do Partido Socialista.

O debate ideológico que vai existir nos próximos anos não vai ser fácil. No entanto, é necessário começar por descobrir a sua raíz.

Publicado por André Abrantes Amaral em fevereiro 18, 2004 05:36 PM | TrackBack
Comentários

Quantas correntes ideológicas cabem na ecologia? Quantas falsas certezas se podem ler no Observador? Será o Observador um blogue metaneoliberal?

Afixado por: Portuense em fevereiro 22, 2004 12:39 PM

Nada de novo.
Mais que discutir como é esta ou aquela esquerda, seria importante dicutir ideias.
Sendo que algumas ideias, apesar de universalmente aceites (ecologia, etc.) só são reivindicadas por alguns.

Afixado por: Nilson em fevereiro 20, 2004 12:54 PM

Também não foi uma frase verdadeira como tu, melhor que muitos, bem sabes, Bernardo.

Afixado por: André em fevereiro 20, 2004 12:27 PM

Sempre me apelidei de Liberal de esquerda.

Tirei um curso de economia na Nova e percebi que os sistemas liberais têm enormes vantagens, mas são também extremamente injustos. Quando deixados em rédea solta, são especialmente devoradores dos direitos tanto de trabalhadores, como de consumidores. Até mesmo dos governos.

Por isso não acredito que a arrogância da "Nova-Esquerda", como tu lhe chamas, constitua falta de visão económica (O louçã, como deves saber, é professor de economia no ISEG).

Às vezes não é preciso procurar muito longe para encontrar explicações simples para problemas complexos: Como qualquer criança sabe, o dinheiro não é tudo na vida.

Se calhar ainda não aprendeste essa lição. (sim, esta frase foi arrogante)

Afixado por: Bernardo Correia em fevereiro 20, 2004 12:13 PM

Sr. Peixoto,
AHAHAHAHAHAHAHHAAH

Afixado por: vamosaeles em fevereiro 20, 2004 01:02 AM

Se acha que o regime de mercado livre é a melhor forma de permitir a alguém ser feliz, porque é que defende que o Estado deve interferir na conduta pessoal de cada um proibindo o uso de drogas, prostituição, aborto? As pessoas não devem ter liberdade para decidir comprar droga, por exemplo? O seu mercado parece-me muito pouco livre... só se pode vender aquilo que o Estado deixa, aquilo que o Estado acha que faz as pessoas serem felizes... não há aqui alguma contradição? O seu mercado não é assim tão livre, pois não?

Afixado por: viana em fevereiro 19, 2004 11:32 AM

Vejam a felicidade que o liberalismo económico traz às pessoas. Muito bem senhor André!!! Pergunte aos 350 mil desempregados se não estão felizes. Não há maior felicidade que não ter nada para comer e olhar para a barriga dos patrões. Olha que anafadinhos, que lindos. Isso sim é felicidade, ver como os filhos deles vão bonitinhos para a escola e que carros bonitos têm enquanto a gente nos sinais de trânsito lhes limpamos os vidro do carro, se queremos comprar um paposseco no café da esquina. Estou tão feliz por estar desempregado. Viva o capitalismo e o liberalismo económico!

Afixado por: predatado em fevereiro 19, 2004 11:28 AM

Esta Sub-esquerda radical multiplica-se em discursos populistas, por forma a atrair aqueles que se dizem excluídos pelas políticas de livre concorrência e mercado aberto protagonizadas pelos governos liberais e democráticos do Mundo Desenvolvido...

Afixado por: Peixoto em fevereiro 18, 2004 10:16 PM
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