Quem ler o meu ‘post’ da passada sexta feira, verá que a má prestação eleitoral dos partidos de direita em nada me surpreendeu. O PSD/CDS cometeram um erro nesta legislatura. Tiveram medo de reformar o essencial. Exemplificando, podemos dizer que se era para ter como resultado a hostilização da esquerda, teria sido preferível que a alteração da legislação laboral tivesse ido mais longe e não se tivesse limitado a meras tentativas de organização e arrumação legislativa. Um código laboral que permita e flexibilidade no trabalho, aumenta a produtividade, o investimento, a riqueza e veja-se só, a longo prazo, a receita pública. Claro que houve mais. Houve a saída de Barroso (com a qual nunca concordei) e a sua substituição por Santana Lopes, quando a escolha natural seria sempre Manuela Ferreira Leite ou Marques Mendes (como também mencionei num dos ‘posts’ nessa altura).
Há algo que para mim é muito preocupante. O PCP e o BE tiveram 14% dos votos. É preciso não esquecer que são partidos da extrema-esquerda. São partidos que defendem regimes totalitários. Têm líderes que apoiaram ditaduras comunistas. É verdade que hoje, fruto da Europa Comunitária, estamos blindados contra estes perigos. Mas não deixam de ser partidos perigosos, com ideias perigosas. Cada um dos 22 deputados que, partir de hoje, estão na Assembleia defendem o fim do nosso regime parlamentar, da nossa democracia e da nossa liberdade. Votar no PCP ou no BE é tão grave como votar num partido de extrema direita.
Por fim, Sócrates. Venceu, mas não acredito que por muito tempo. Na minha opinião, o novo primeiro-ministro verá crescer o défice e descer a produtividade que será comida pelo excesso de despesa. A princípio ele não ligará muito a esta questão. Fala-se já da redefinição, na Europa, do objectivo dos 3% no défice. Sucede que o excesso de despesa é mau, não porque a Europa o diz, mas porque afecta a nossa economia. Quando o PS se aperceber disso, procurará aumentar a receita. O impostos subirão, a fiscalização aumentará, seremos cada vez mais controlados. O Estado entrará nas nossas casas, nas nossas vidas. Explicações terão, por nós, de ser dadas a funcionários que tudo farão para arranjar verbas para sustentar a máquina estatal.
Vivemos hoje com demasiado Estado. Alguns, desde os governos de Cavaco Silva e continuando durante as duas legislaturas de Guterres, chamaram a atenção para os riscos desta realidade. Muitos, de forma displicente, não quiseram saber. São praticamente os mesmos que nos prometem, agora, ter as soluções.
Eu vejo Portugal como um país que está a viver aquilo para que Hayek alertou: Um dia acordamos e descobrimos que o Estado entra pela nossa vida dentro, gasta o nosso dinheiro, dificulta os nossos investimentos, odeia o sucesso e a riqueza e nada podemos fazer para nos libertar: Depois de um longo caminho, que percorremos como que adormecidos, damos conta que chegámos à servidão. (Ler este texto de André Azevedo Alves).
Matutemos nisto: Que esforços e sacrifícios são necessários para termos mais liberdade? Alguém tem coragem de dar a volta?
A maioria absoluta de ontem por parte do PS foi o voto de quem não quer ver a realidade. De quem pensa que com uma maioria tudo resolverá, quando apenas com medidas dolorosas será possível vencer os problemas que nos afectam. É minha opinião: Se com Guterres foi o marasmo, com Sócrates será o caos.
Os dias que aí vêm não são nada animadores.
Publicado por André Abrantes Amaral em fevereiro 21, 2005 09:48 AMVITÓRIA :)
Grande derrota para a direita fascista e anti-democrática.
Pior que tudo foi o mau perder do Santana
Afixado por: andrec em fevereiro 21, 2005 10:06 AMAndré, já não há fascistas.
Afixado por: André em fevereiro 21, 2005 10:14 AMHaver, isso há. Andam é bem disfarçados, bem entranhados nos meandros da nossa dita democracia (agora um pouco mais democrática a meu ver). Há fascistas assim como haverá neo-nazis, marxistas-leninistas, liberais, etc... Só porque os ideais da maioria se esbateram e misturaram um pouco não quer dizer que não continuem a haver pessoas mais "radicais". E se observarmos bem tudo o que se tem passado nos últimos anos em Portugal dá para perceber essas convicções mais radicalistas de todos os políticos.
Afixado por: PivotJerónimo em fevereiro 21, 2005 10:53 AMOs dias que aí vêm vão ser iguais aos que passaram....que chatice:((((
Afixado por: annie hall em fevereiro 21, 2005 12:08 PM"Votar no PCP ou no BE é tão grave como votar num partido de extrema direita." Que exagero André! Não acha que já haverá gente nesses partidos tão democratas como no PS, PSD ou PP? O PCTP de Garcia Pereira é que é perigoso: esses sim fariam uma nova revolução.
Afixado por: zarp em fevereiro 21, 2005 12:47 PMNão, Zarp. Infelizmente não acho. Eu tenho lido o seu blogue, sei em quem votou e respeito isso. Sei também que muitos dos que votam no PC ou no BE não são da extrema-esquerda. Acontece que não nos podemos esquecer quem são e o que pensam os líderes destes dois partidos. Compará-los com a extrema-direita, pode parecer exagero, mas não é. O que sucede é que para nós, portugueses, e fruto da ditadura de Salazar, nos choca mais a extrema-direita que a extrema-esquerda. No entanto, esta última existe e é uma ameaça (como sempre foi) à democracia.
Afixado por: André em fevereiro 21, 2005 01:47 PMO livro «O Caminho para a Servidão» começa assim:
«Aos socialistas de todos os partidos»
Porquê?
Neste teu texto mencionaste um aspecto muito importante: a União Europeia, que nos impede de entrar em grandes aventuras radicais. Por isso eu posso votar em partidos mais radicais (não nestas eleições...), mas sou europeísta. No entanto há-que approfundar e muito a democraticidade da Europa.
Quanto às tuas questões de liberdade e servidão, desculpa lá mas encolho um pouco os ombros.
Não te respondi à Lúcia por falta de tempo. Uma vez mais estamos em desacordo. Recomendo-te o João Miguel Tavares, um tipo de direita:
http://dn.sapo.pt/2005/02/20/opiniao/luto_pela_irma_lucia.html
Há quem não se contente com um encolher de ombros. Há quem não consiga empreender, há quem não consiga criar empregos (ou mantê-los), há quem se veja a ganhar menos por não existir forma de trabalhar e produzir mais. É caso para dizer, Filipe, que "eles comem tudo e não deixam nada". Eles, são o Estado.
Afixado por: André em fevereiro 22, 2005 09:33 AMNão percebo a teimosia em comparar a Irmã Lúcia à Madre Teresa de Calcutá. Para mim isso é tão válido como comparar Jesus a Maomé ou a Buda. A Irmã Lúcia foi fonte de inspiração para milhares de pessoas por esse mundo fora e não percebo porque menosprezam a sua importância. Apesar de viver em reclusão respondia a cartas ou a emails (é verdade!)de fiéis, que pediam a sua ajuda. E muitos que criticam a sua reclusão, deveriam perceber como seria viver sob constante assédio. Imaginem como seria sair de vossa casa e ter centenas de pessoas atrás de vocês, a pedir para vos tocar, a pedir um milagre, a pedir informações sobre os milagres... Não seria fácil!
O Povo chorou pela Amália, chorou pela Irmã Lúcia, e há-de chorar por outras figuras que são importantes na nossa História, independentemente da sua acção social.
Se houve aproveitamento politico? No dia em que um político não se aproveitar de algo.. ;)
Afixado por: Elise em fevereiro 22, 2005 10:03 AMAndré, nem eu estou a dizer que te devas contentar seja com o que for, ou que devas deixar de estar preocupado. Espero que tu tenhas entendido isso, mas poderia não ser claro dos comentários.
Afixado por: Filipe Moura em fevereiro 23, 2005 01:03 AMEu sei, Filipe. Eu compreendi. O que pretendi dizer na minha resposta ao teu comentário é que há muitas pessoas que trabalham no sector privado e que se sentem ultrajadas. Muito trabalho e muito pouco proveito. Há empresas pequenas que mal conseguem sobreviver e para o fazerem, pagando aos seus empregados (uma empresa com empregados descontentes não funciona), não têm condições de pagar os impostos que lhes são cobrados.
A situação é grave porque o Estado fica com a maior parte dos lucros, além de dificultar em demasia qualquer nova iniciativa.
Deixo-te uma questão: Já tentaste abrir uma empresa? Se não, não tentes.
Um abraço. :-)
Afixado por: André em fevereiro 23, 2005 09:11 AM