O reinado de D. João II tem de ser entendido em duas vertentes. Na vertente interna e na externa.
Em ambas se seguiu uma política arrojada e inovadora.
Internamente, D. João II encontrou um reino dilacerado pelo poder cada vez mais crescente da nobreza. Havia que arrumar a casa. Este monarca vai ser implacável na pressucução dos seus objectivos. Os principais nobres do país são perseguidos, presos e mortos. Os principais foram os duques de Bragança e de Viseu.
A nível externo, D. João II altera profundamente apolítica até aí seguida pelo seu pai. Ao contrário da conquista de praças fortes no Norte de África, decide-se por uma expansão para sul. O objectivo é encontrar a dobra do continente africano e a passagem para o Índico.
Este rei, que utiliza por diversas vezes os seus serviços secretos (quer na espionagem aos nobres, quer através do envio e dois agentes, Afonso Paiva e Pero da Covilhã, para o Oriente) e rodeando-se dos melhores astrónomos e cientistas (D. João II sempre adiou a expulsão dos judeus de Portugal, mesmo contra as ordens papais) e acaba por ser um dos homens mais esclarecidos do seu tempo.
Sempre seguiu uma política de segredo (o segredo é a alma do negócio) e foi devido ao seu conhecimento exacto da dimensão do Planeta que recusa o projecto de Colombo (ainda hoje os espanhóis julgam que ele é que estava errado). Foi também devido ao seu conhecimento que assinou o Tratado de Tordesilhas em 1494 guardando para Portugal o Brasil e o comércio com a India.
O seu maior projecto (a junção de Portugal e Castela, com o inevitável predomínio dos Portugueses – fruto do comércio das especiarias-) gorado com a morte do filho, D. Afonso, pouco tempo após o seu casamento com D. Isabel, herdeira do trono castelhano.
D. João II, morre no Alvor, em 1495. É, no meu entender o maior governante que Portugal já teve e na altura um dos mais admirados pelo povo.