maio 19, 2004

A Floresta

Por sugestão do João, do Bioterra dei algum tempo e gostei muito de ler este artigo. O nosso país necessita urgentemente de mudar a sua política florestal. Não sou um fanático contra os eucaliptos. Eles também geram riqueza. No entanto, é preciso apostar nas espécies tradicionais, como sejam o sobreiro (cuja doença se prepara para os matar em grande número), o carvalho, o freixo, castanheiro e outros que tais.

Chamo a atenção para as iniciativas propostas neste artigo, nomeadamente o "Estímulo do investimento privado na floresta, através de mecanismos de mercado, apoiados por ajustamentos de natureza fiscal e no apoio directo ao investimento florestal, estímulo de um mercado de seguros florestais e utilização das florestas públicas como núcleos de agregação de projectos de investimento".

Agora, uma perspectiva mais política. A esquerda tem-se aproveitado e cativado todo um eleitorado que se preocupa com estas questões. Porquê? O desenvolvimento humano passa pela protecção da natureza e pela harmonização da nossa vida com ela. Há aqui um enorme ‘mercado’ eleitoral para a direita. Julgo que os complexos ecológicos devem desaparecer entre estes políticos.

Publicado por André Abrantes Amaral em maio 19, 2004 09:47 AM | TrackBack
Comentários

Para um grande partido de esquerda ou de direita é simples assimilar os conceitos da política ecológica, seja pelo cariz social da questão(esquerda), seja pela conservação da natureza (direita).
Cumprir com as promessas feitas quando estas entram em conflito com assuntos mais próximos dos verdadeiros ideais destes partidos é que é outra conversa...

E aí que reside o problema da direita ou da esquerda se aproveitarem do "mercado" eleitoral ecologista. É que, ao fazerem-no, acabam por ofuscar os partidos ecologistas, impedindo-os de propor, em sede própria, políticas realmente amigas do ambiente.

Nesses partidos convivem muitas vezes pessoas que poderiam ser consideradas de direita ou de esquerda, as quais tentam, através do debate, ultrapassar as suas divergências e trabalhar em nome de um objectivo comum: o planeta.

Porém, se o fim dos complexos ecológicos à direita representasse um maior peso político para pessoas como Carlos Pimenta,vê-lo-ia, obviamente, com bons olhos. E a mesma lógica aplica-se à esquerda.

Não sou tão pessimista (realista) quanto o Paulo, mas reconheço que isso talvez se deva à vontade de manter a esperança, face a tudo o que vai acontecendo por este mundo fora...

Afixado por: Luís Humberto Teixeira em maio 19, 2004 10:53 PM

Sabes qual é o problema andre?????

Eu tambem nao sou contra os eucaliptos... mas nao por eles gerarem riqueza... O PROBLEMA É ESTE ANDRE.... A FLORESTA NAO È PARA SER TRATADA COMO UM GERADOR DE RIQUEZA.... a floresta é mais que isso andre.... LAMENTO IMENSO ESTA TUA FRASE... lamento muito este teu artigo por mais bem intencionado que ele o seja, pois acredito que o é... mas desculpa-me lá... NAO SE TRATA, NAO SE FALA assim da FLOREST... DA NATUREZA... Um pouco de respeito... pois a floresta nao tem boca para falar... e poucos sao aqueles que tentam falar um pouco por ela...

Tratar a floresta como mercado eleitoral???? com esta dei um enorme riso...HAHAHAHAHA... mas nao foi de felicidade...

Já agora... ja falaste com algum bombeiro... duvido... entao fala com um e ele explica-te o que fazem os privados (a sua grande maioria) a um patrimonio que é MUNDIAL... é de todos e como tal devia tar na mao de todos!!!!!!

Já agora... lembraste do sr filho do champalimaud... que ao nao permitir a entrada de bombeiros em seu terreno, permetiu que ardessem vastas areas de terreno... pq o seu sofisticadissimo sistema de rega... que esses coitadinhos dos bombeiros iriam estragar com as suas imundas patas... Sabes o que esta agora nesses terrenos.... CASAS... BETAO... Viva os privados... viva a floresta...

P.S.- LEmbro de uma musica... a da arca de noé... letra linda... nao concordas????

Afixado por: omar em maio 19, 2004 10:50 PM

Duvido que a direita consiga alguma vez ter preocupações ecológicas - mesmo que quisesse, o que já é duvidoso. Tradicionalmente os partidos de direita são sustentados por uma clientela empresarial que 1) se borrifa de alto nisso das ecologias, que é uma coisa assim de miúdos com crachás ao peito, 2) considera políticas ecológicas uma verdadeira chatisse porque impedem um montão de bons negócios, 3) só estudou (a que estudou...) a economia de trazer por casa e desprezou um dos principais ensinamentos económicos: a economia É a ecologia.

O único político do centro-direita que tinha boas ideias e quis pô-las em prática foi rapidamente afastado da cena política nacional pelos seus pares partidários. Incomodava demais. era um obstáculo.

O aproveitamento da esquerda dos temas ecológicos é natural: a esquerda em regra aproveita todos os temas que geram descontentamentos sociais. Porém, é necessário levar em consideração que não há uma herança política da ecologia, nem sequer à esquerda. As práticas comunistas, nomeadamente no antigo bloco de Leste, foram de um absoluto desprezo pela ecologia, patente nos altos níveis de poluição de todos os países da ex-URSS e sobretudo na Ucrânia e na Rússia.

O planeta está condenado, é uma questão de tempo. Que me desculpem os ambientalistas, entre os quais me incluo por razões morais, mas o seu / nosso papel está confinado a adiar o inevitável.

A ecologia só será um tema politicamente quente quando o planeta já estiver mesmo nas últimas e a grande massa eleitora, bem como os políticos dos partidos que tradicionalmente governam, não tiverem outro remédio senão pô-la na ordem do dia e dar um murro na mesa. Mas será demasiado tarde.

Afixado por: Paulo em maio 19, 2004 09:15 PM
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