novembro 29, 2003

Fartei-me dos Telejornais

O .blog do jazzy. tem um artigo com os minutos que a televisão já gastou (o termo é meu e intencional) com o processo Casa Pia. Fiquei impressionado com os números...

Tenho assistido, fruto do meu dia a dia de trabalho, a cada vez menos televisão. Mas não me queixo. Na verdade, pelo que ainda apanho dos noticiários televisivos, poucas razões me são apresentadas para .perder. o meu tempo com eles.

Lembro-me de ser miúdo e o Telejornal durar sempre 30 minutos. Agora atinge a hora, hora e meia. Antes falavam um pouco dos acontecimentos políticos nacionais,, dos internacionais (tinha-se uma visão mais global do mundo) e terminava-se sempre com o desporto. Agora, só se fala da miséria de uns e das desgraças de outros. Tenha-se em conta que não sou contrário a que se dêem as más notícias. Elas fazem parte da nossa vida. Não posso é concordar com o .só. se falar das misérias alheias, tal como não suporto a exploração que delas se faz.

Não consigo suportar a sede que a nossa televisão (e refiro-me a todas as estações) tem pela miséria e desgraças humanas. Não consigo aceitar a necessidade de tanta pergunta e, fundamentalmente, irrita-me, e irrita-me solenemente, que os noticiários ocupem 90% com este tipo de .notícias..

Actualmente qualquer noticiário parece a o jornal .24 Horas.. Ora, se eu não compro o .24 Horas,. por não necessitar de receber aquele tipo de informação, porque a terei de receber em casa de mão beijada?

As televisões parece que se esqueceram o que quer dizer a palavra informar. Esqueceram-se que, por vezes basta relatar um acontecimento. Com poucas palavras e por poucos segundos. Podem ter a certeza que, se assim fosse, captaria melhor a nossa atenção e, mais importante, o nosso cuidado.

Publicado por André Abrantes Amaral em 07:28 PM | Comentários (2)

novembro 27, 2003

Tom Ripley

Foi há pelo menos 2 anos que vi o filme "O Talentoso Mr. Ripley" baseado no livro de Patricia Highsmith.

Como gostei e tinha todos os livros em casa dos meus pais, decidi-me a ler um que tivesse Tom Ripley como personagem principal.

Escolhi "O Rapaz que seguiu Ripley". Não é dos melhores, mas foi o suficiente para acabar por ler todos os outros.

Tom Ripley é o anti-herói mais herói que se conhece. Ele é uma pessoa calma e tranquila. Gosta de jardinagem e de ouvir a mulher a tocar cravo. Claro que tem alguns negócios obscuros no mundo da arte. Mas, que mal tem isso? É verdade que mata (sem piedade e sem qualquer ponta de remorso) quem o tenta prejudicar. Mas porque raio se metem com ele? É sempre o que pensamos. Ripley é acima de tudo, um ser amoral. Logo, para ele tudo é possível e aceitável e nós, aos poucos, vamos sentindo e consentido o mesmo.

Vale a pena ler Ripley. Melhor, vale a pena ler toda obra de Patricia Highsmith. Ela é, verdadeiramente a mestre do suspense e da amoralidade.

Publicado por André Abrantes Amaral em 08:30 PM | Comentários (5)

novembro 26, 2003

Uma Verdadeira Reforma do Ensino

Tem existido alguma polémica em torno das Universidades fechadas a cadeado, por se considerar um atentado à cultura, à liberdade de ensino e tudo o mais. Concordo com as críticas. Fechar uma Universidade a cadeado é algo que ofende o comum dos mortais. É como queimar livros. Por muito maus que sejam, existe sempre uma sensação de sacrilégio inerente à atitude.

No entanto, mais importante que o fechar ou deixar de fechar universidades a cadeado, convém discutir que reforma se pretende para o Ensino Superior.

Sempre me fez impressão o sistema do Estado, muito incutido, aliás, na nossa mentalidade, dirigir o ensino. Faz-me impressão porque não gosto da ideia do Estado me ensinar ou ensinar quem quer que seja. Para mim o Estado não foi feito com esse fim. O Estado não serve para ensinar, nem para cultivar (através do famoso Ministério da Cultura), nem para nos administrar.

Por esta razão nunca compreendi porque detém o Estado tantas Universidades. Dir-me-ão que é para, através do chamado .Ensino Público. permitir igualdade de acesso a todos os estudantes, independentemente da sua origem social. Se assim é, pergunto: Foi isso conseguido? Foi esse objectivo alcançado? Não me parece.

Até porque, se o Estado (e a sociedade através dele) pretende que todos tenham acesso à Universidade em igualdade de circunstâncias, não é necessário que estas sejam públicas.

Esse fim seria alcançado, com mais sucesso (e muito menos custo), se todas as Universidades fossem privadas. O Estado, em vez de deter Universidades (os edifícios, os professores, os funcionários, etc) pagava bolsas de estudo aos estudantes que, com comprovadas dificuldades económicas, conseguissem ingressar (tivessem a chamada média de entrada) em qualquer estabelecimento de ensino superior.

O Estado pouparia bastante dinheiro que seria canalizado nas referidas bolsas e num verdadeiro, eficiente e capaz sistema de fiscalização (uma das funções do Estado mais importantes e que, em Portugal, é descurada).

Outra enorme vantagem seria a responsabilização que incutida em todos os estudantes (quer os que pagavam, quer os que recebiam as bolsas estatais). O ensino não é de borla. Não é gratuito. Custa sempre a alguém. Ora, e ao contrário do que já ouvi por aí, os maiores beneficiados com a licenciatura de um estudante, não é a sociedade, não é o pais, mas o próprio estudante. Ele é quem mais vai beneficiar com o curso que tirou. Ele é o maior interessado.

Pagar o seu próprio ensino é algo que resulta da responsabilização que cada um quer dar à sua vida.

Por estas razões, e como sei que será, não digo difícil mas, impossível, proceder a qualquer reforma do ensino, como a que apresentei em cima, é que sou a favor do pagamento das propinas.

Acabou-se o tempo em que as coisas (nestes caso os cursos) são dados. Tudo tem o seu custo e tudo tem o seu preço.

Publicado por André Abrantes Amaral em 02:53 PM | Comentários (8)

novembro 25, 2003

Pequena Nota Sobre a Nossa Justiça

Michael Jackson foi acusado de pedofilia, por abusar sexalmente de um menor que padecia de cancro e o queria conhecer pessoalmente.

A notícia veio a público a semana passada e o julgamento está agendado para o próximo dia 9 de Janeiro.

Lá, como cá . . .

Publicado por André Abrantes Amaral em 11:40 AM

novembro 24, 2003

Preocupo-me Cada Vez Menos

Há cerca de três anos comprei um livro do António Alçada Baptista intitulado "A Pesca à Linha". Dele constam uma série de pequenos textos que são mais pequenas histórias nas quais Alçada Baptista, como só ele sabe fazer, aproveita para conversar connosco.

Num desses textos, ele conta como encontrou, entre as suas coisas, um poema de Jorge Luís Borges, intitulado "Instantes".

Diz o poema então:

"Se eu pudesse viver novamente a minha vida
Na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido,
Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiénico.
Correria mais riscos
viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas,
nadaria mais rios.
Iria a lugares onde nunca fui,
comeria mais sorvetes
e menos favas,
teria mais problemas reais e menos imaginários.
Eu fui dessas pessoas que viveu sensata
e minuciosamente cada minuto da sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se pudesse voltar atrás trataria
de ter somente bons momentos.
Porque, se não o sabem, disso é feita a vida,
só de momentos; não percas o agora.
Eu era desses que nunca
iam a parte nenhuma sem um termómetro,
um saco de água quente,
um guarda-chuva e um pára-quedas;
se pudesse voltar a viver, viajaria mais leve.
Se pudesse voltar a viver
começaria a andar descalço no princípio
da Primavera
e continuaria descalço até ao fim do Outuno.
Daria mais voltas no carrossel,
contemplaria mais amanheceres,
e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas vejam lá, tenho 85 anos e sei que estou a morrer."

Já há uns tempos que tenho decidido viver com o menor número de preocupações possíveis. O mais ligeiro que me for permitido. Com brio profissional, sem dúvida, até porque a minha profissão não permite outra atitude mas, sem as ditas preocupações imaginárias (a tais que nos chamam a atenção para o que pode suceder se fizermos isto e aquilo... e se calhar, pode acontecer aqueloutro..., etc).

Cada vez que leio este poema de Borges, dou um passo significativo na minha caminhada.

Publicado por André Abrantes Amaral em 05:26 PM | Comentários (6)

John Fitzgerald Kennedy

Não tendo tido acesso ao computador durante o fim de semana, não pude, no passado Sábado, fazer a minha pequena homenagem a Kennedy aquando dos 40 anos do seu assassinato.

Ora, então aqui vai com um excerto do seu discurso inaugural:

"Let every nation know, wether is wishes us well or ill, that we shall pay any price, bear any burden, meet any hardship, support any friend, oppose any foe to assume the survival and success of liberty. Let the word go forth from this time and place, to friend and foe alike, that the torch has passed to a new generation of Americans - born in this century, tempered by war, disciplined by a hard and bitter peace, proud of our ancient heritage, and unwilling to witness or permit the slow undoing of humam rights to which this nation has always been committed..."

Kennedy era a esperança da esquerda (quem dera ter uma esquerda daquelas...) da América.

Ontem, como hoje, a mensagem não mudou muito.

Publicado por André Abrantes Amaral em 04:21 PM | Comentários (1)

novembro 21, 2003

A Importancia das Alianças

Geralmente digo bem dos Estados Unidos da América. Fui a favor da invasão do Iraque, não devido às armas de destruição em massa mas, por considerar essencial que no Médio Oriente surja um Estado Democrático que demonstre aos povos árabes as vantagens da democracia e não existam déspotas com o objectivo político de destruir Israel à custa da miséria em que o povo palestiniano vive.

A razão da minha opinião dá para outro texto, noutro dia. Agora a conversa é para ser outra. Como ia dizendo, geralmente apoio a América. No entanto, espero que os americanos nunca se esqueçam de questionar as políticas mais unilateralistas da Administração Bush.

A Doutrina Bush, ao contrário da Doutrina Truman, defende, quando essencial à segurança, a acção, mesmo contra a vontade dos antigos aliados norte . americanos.

A Doutrina Bush, ao contrário da Doutrina Truman, defende ainda que os aliados da América não são fixos, mas mudam de cenário para cenário. O inimigo é invisível, logo a política de defesa tem de ser flexível.

Tudo isto é verdade, mas também não é mentira que nunca nenhum império sobreviveu sem aliados. E aliados incondicionais.

A América não pode esquecer que há 2500 anos atrás, Atenas, a potência naval na Grécia Antiga, ao deturpar o sentido e objectivo da coligação das cidades estado contra os Persas, se isolou destas, o que lhe foi fatal, mais tarde, na Guerra do Peloponeso.

É chato ter de aturar a França, mas faz de conta que é como aquelas tias velhas a que é preciso estar sempre a convidar para as festas de aniversário...

Publicado por André Abrantes Amaral em 11:54 AM | Comentários (3)

novembro 20, 2003

Universidades fechadas a cadeado

Alguns estudantes decidiram fechar a Universidade de Coimbra a cadeado por não concordarem com o pagamento de propinas.

Antes lutava-se pela liberdade. Agora, para não se pagar o seu próprio ensino.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...

Publicado por André Abrantes Amaral em 03:37 PM | Comentários (1)

China

Ninguém duvida que o mundo está ligeiramente mais confuso e inseguro que à uns anos atrás. Os ataques terroristas que diariamente nos chegam aos ouvidos, a desconfiança cada vez maior que a Europa Ocidental nutre pelos EUA, a imigração constante para a Europa, que nunca esteve, não está, nem nunca estará preparada para receber estrangeiros, tudo são razões para nos inquietarmos.

No meio de toda esta balbúrdia, um pais vive na paz dos anjos. Falo da China. Logo no início do seu mandato, o Presidente Bush fez deste pais a sua principal preocupação de política externa. No entanto, depois do 11 de Setembro 2001 tudo mudou. A República Popular da China vive sossegada e tranquilamente cada novo dia do século XXI.

Esta tranquilidade permite-lhe proceder às reformas económicas que considera essenciais ao seu desenvolvimento, tal como possibilita um crescimento muito superior à média dos países asiáticos.

A China colocou, à cerca de dois meses, o seu primeiro homem no espaço. É o terceiro pais a fazê-lo, depois dos EUA e da Rússia. Dentro de 10, 20 anos será a nova potência mundial que enfrentará a América.

Tal não será forçosamente negativo. Poderá mesmo ser a força motriz que falta para uma nova união do Ocidente, não contra o que quer que seja, mas única e exclusivamente porque estaremos frente a uma civilização milenar desconhecida e para muitos dificilmente compreendida.

A China não vai ser fácil. Vai querer exercer, sem quaisquer entraves a sua influência na Ásia, onde se encontram paises como o Japão e a Coreia do Sul. Para além do mais chocará com a Austrália.

O Extremo Oriente, ao contrário do que aconteceu na primeira metade do século XX, tem vivido uma paz duradoura saída da II Grande Guerra. Os próximos anos nos dirão como se fará o seu futuro.

Publicado por André Abrantes Amaral em 11:44 AM | Comentários (4)

novembro 19, 2003

Tintin

O Jornal Público, com uma iniciativa que é de louvar, decidiu publicar e vender às sextas feiras (por uns míseros 4 euros) todos os albúns do Tintin

Só quem conheceu o tintin na mais tenra idade e viveu a infância com as suas aventuras, compreende o prazer que há em reler qualquer albúm.

A todos os outros, apenas posso sugerir que, aproveitem a ocasião para adquirir os albúns e recortem a página do jornal que comenta o livro desse dia.

Ainda esta segunda feira reli "As 7 Bolas de Cristal". Ontem fiquei satisfeito quando me lembrei ter ainda "O Templo do Sol" para terminar a história. Um bom livro de aventuras. E aos quadradinhos.

Publicado por André Abrantes Amaral em 01:25 PM

Lincoln

Faz hoje 140 anos que Lincoln proferiu o famoso discurso em Gettysburg.
Lê-lo, além de obrigatório, faz bem ao espírito.

Publicado por André Abrantes Amaral em 12:18 PM | Comentários (1)

novembro 18, 2003

Caro Daniel Oliveira

Para além de não ser muito adepto da sua ideia de combate, o seu artigo no barnabé não deixa de merecer alguns comentários.

Nunca entendi a tendência da esquerda em apelidar toda e qualquer direita de radical (a única ideia que me passa pela cabeça é de ser, dessa forma, mais fácil tornar todo e qualquer debate num verdadeiro combate). O que tem de radical ser a favor da economia de mercado? O que tem de radical apoiar a democracia representativa? O que há de radical em defender a liberdade de expressão?

Colocar estes valores em causa, isso sim, é radical.

Também não compreedo a ligação que faz entre a Invasão do Iraque e a crise económica. Vejamos uma coisa: A recessão económica já estava instalada aquando dos atentados de 11 de Setembro. Agora, pelo menos nos EUA e no último trimestre deste ano, a economia cresceu 1,75%. E acredite, o pior, a nível económico, na Europa, já passou. (não, não sou ingénuo. São mesmo o últimos dados económicos conhecidos).

De qualquer forma, o Daniel deve ter acesso a informação que nos ultrapassa...

Publicado por André Abrantes Amaral em 03:55 PM | Comentários (2)

Agostinho da Silva

A frase que se encontra no topo deste blog "o homem não nasceu para trabalhar mas para criar" é do Professor Agostinho da Silva. Fiz uma pequena busca no google com o nome Agostinho da Silva e encontrei o site da Associação em sua memória. Nela se encontra o seguinte texto que transcrevo:

"Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles forem meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar a mim não teríamos talvez dois corpos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem."

Entrevistei o Professor Agostinho da Silva, para a cadeira de jornalismo quando tinha 16 anos. Ainda guardo a gravação dessa conversa comigo e mais dois colegas meus. O que mais sobressai da sua mensagem é a necessidade de nos desprendermos das coisas do mundo, de contrariarmos a forma de ser dominante na nossa sociedade e que nos entala dia após dia. O trabalho deve cultivar-nos, deve permitir, todos os dias, uma melhoria no nosso ser. O que não for isto não serve.

Ler Agostinho da Silva é um remédio para alma. Ficamos sempre mais leves. Pois a verdadeira libertação é não ter.

Publicado por André Abrantes Amaral em 10:53 AM | Comentários (2)

novembro 17, 2003

A Doutrina Bush

É frequente criticar-se, sem mais, a Administração Bush e o seu Presidente. Sem dúvida que muitos defeitos terá esta presidência norte - americana, essencialmente quando, não refreando os seus ímpetos mais unilateralistas, prejudica gravemente a Aliança Atlântica que tanto contribuiu para a paz que vivemos desde a II Guerra Mundial.

No entanto, nem que seja por razões de uma certa honestidade intelectual que todos nós devemos procurar, temos de concordar que nem tudo pode ou deve ser negativo nas posições de George W. Bush.

A nossa crítica não nos deve cegar.

Num discurso proferido, no passado dia 6 de Novembro de 2003, aquando do vigésimo aniversário do National Endowment for Democracy o Presidente traçou as linhas mestras, não apenas da liberdade e democracia no Iraque como também para todo o Médio Oriente.

Bush começa por dizer que no princípio dos anos 80 existiam apenas 40 democracias. Agora, 20 anos depois, constituem um todo de 120. Acrescenta que as democracias serão cada vez mais fortes e as ditaduras mais fracas. Mas afirma também que é necessário estar sempre alerta na luta pela liberdade e pela democracia.

Neste discurso que, em Portugal pouca importância foi dada, O Presidente norte-americano define a política externa dos Estados Unidos para as próximas décadas. Através das suas palavras, a América assume o compromisso de lutar pela democracia em todas as partes do mundo. Em Cuba, na China e no Médio Oriente.

Concorde-se, ou não, com esta posição de Bush, ela não deixa de ser uma realidade. A nossa honestidade passa por estudá-la e analisá-la objectivamente. Críticas de caracter subjectivo, de puro rancor, não deveriam ter lugar num debate sério.

Até porque, bem vistas as coisas, quem não concorda com a propagação da democracia? A América vai lutar por ela. A questão que se nos coloca a nós, europeus, é que papel queremos ter perante esta realidade? Como nos julgará a nós a história?

Como o futuro olhará para as nossas acções ou omissões?...

Publicado por André Abrantes Amaral em 04:37 PM | Comentários (5)

novembro 14, 2003

A Influência dos Bancos

Todos nós concordamos que o nosso país tem vivido sérios e graves problemas que resultam de uma deficiente estrutura, quer das nossas instituições quer da nossa sociedade. Somos um pais demasiado burocrata e socialista, não no sentido ideológico do termo mas, na medida em que a larga maioria quando sai da alçada dos pais quer ficar sob protecção do Estado.

A meu ver existe ainda outro obstáculo ao nosso desenvolvimento. O poder dos bancos. Senão vejamos. O elevado consumo a que os portugueses se entregaram e do qual resultam inúmeros cartões de crédito, contas ordenado, empréstimos para carros, electrodomésticos e casas, tornou-os, a todos, dependentes das instituições bancárias.

De todos os empréstimos, só compreendo o da casa. Mesmo assim, não estivesse o mercado de arrendamento tão viciado e deturpado (fruto de 50 anos de má política), sempre me questionei sobre o encargo da chamada casa propria e permanente.

Os portugueses são os maiores proprietários de casa própria da Europa. Tal acontece por não terem tido qualquer alternativa. Sempre se convenceram (um pouco para se reconfortarem) que estavam a constituir património. Pergunto: Que património? Que interesse tem (como património) a nossa casa? Ela só valerá enquanto tal se a podermos vender rentabilizando o nosso investimento. Ora, se o fizermos para onde vamos dormir?

Nem se pense que, com os anos, existirá algum benefício ao vendermos a casa por um preço mais elevado. É pura ilusão, pois, na verdade, todas as outras também aumentaram de preço.

Se existisse um mercado de arrendamento, já não digo saudável, mas normal (com rendas mais baixas que as prestações pagas aos bancos) muitos optariam por arrendar casa. Poupar-se-ia dinheiro. Dinheiro que, esse sim, seria investido em verdadeiro património (algo que podemos sempre trocar), ou na bolsa, ou em algum negócio, ou, ainda, em consumo sem recurso ao crédito. O dinheiro andaria mais solto

No entanto, estas alterações não interessam aos bancos que operam em Portugal.

A influência dos bancos na nossa vida atinge ainda o mercado de trabalho, levando-o à estagnação e não permitindo uma mutabilidade das relações laborais que seria sã e saudável. Supondo que uma pessoa, a trabalhar em Lisboa, com casa própria e permanente, tem a possibilidade de arranjar um melhor emprego no Porto. Quanto tempo levará a sua mudança? Terá de vender a sua casa, em Lisboa. Precisará que surja quem se mostre interessado em adquiri-la. Precisará que o banco empreste, ao comprador, os fundos necessários para a aquisição. Precisará, ainda, de procurar casa no Porto, na medida que não vai arrendar nenhuma, devido aos altos preços praticados. Quando a encontrar necessitará que um banco lhe empreste o dinheiro. Enfim, um circulo vicioso e interminável.

Quando terminar as mudanças, a empresa que o quis contratar já não estará interessada.

É urgente alterar a lei do arrendamento. Não permitir que empresas arrendem imóveis no centro das cidades que são exclusivamente para habitação. Só desta forma, os preços descerão e só assim, com uma verdadeira fiscalização, essa sim, uma das funções do Estado, se dará a volta à influência que os bancos têm em na vida de nós todos.

Publicado por André Abrantes Amaral em 04:53 PM | Comentários (2)

O Início

Hoje é o primeiro dia do .Observador..

Através dele, pretendo, usando a chamada blogosphera, tirar proveito de um dos espaços mais democráticos actualmente existentes na nossa sociedade. É minha intenção observar as actualidades do dia a dia e comentá-las.

Os assuntos que pretendo abordar serão os mais variados. Poderão ser de ordem política, social, religiosa, como também poderei apenas abordar acontecimentos banalíssimos, pequenos episódios que surjam na minha vida ou sejam por mim presenciados, observados, e relativamente aos quais sinta necessidade de escrever.

Este é o primeiro texto do .Observador.. Não consigo, desde já, determinar o caminho e destino deste blog. Através de cada texto que for surgindo, com o passar dos dias e dos meses veremos o rumo que eu vou tomando.

Indo ao sabor dos acontecimentos, observando-os e comentando-os. É essa a minha verdadeira intenção. O futuro dirá se o vou conseguir.

Publicado por André Abrantes Amaral em 11:38 AM | Comentários (4)