Faz amanhã 250 anos que a cidade de Lisboa ficou destruída pelo maior tremor de terra até agora registado. Para variar, não há qualquer referência ao acontecimento que seja digna de registo. Nenhuma homenagem à cidade que ficou. Não falo das comemorações públicas que pouco valor têm e nada representam. Estou a referir-me ao facto de nenhum poder privado ter aproveitado a ocasião para ‘explorar’ o evento. Vai daí até fizeram muito bem. Quem se iria interessar? Desta forma, de nada valeria o esforço. Antes assim. Ficamos a saber melhor quem somos.
Ontem, depois das aulas de mestrado, uma colega minha holandesa queixava-se da chuva. É que, ao contrário da Holanda, a água que aqui cai do céu, é quente.
Os meus parabéns ao Nuno Guerreiro, pelo excelente trabalho.
A revista Nature noticia na sua mais recente edição, que uma equipa de cientistas internacional, registou milhões de variações de ADN, num esforço de registar na totalidade a diversidade de genes humanos.
Sabendo que 99,9% da sequência de ADN é idêntica entre todos os seres humanos, esta equipa está a tentar inventariar os 0,1% que são diferentes, e que têm como consequência a incrível variedade humana, que vai desde a diferença da cor dos olhos até à susceptibilidade de contrair uma doença.
De facto trata-se de uma tarefa hercúlea, mas ao mesmo tempo fantástica. O ADN é de facto a nossa essência, a nossa alma (em sentido lacto e sem interpretações metafísicas), e o facto de termos evoluído até podermos saber exactamente de que somos feitos (de “poeiras de estrelas”, segundo Hubert Reeves), é um apogeu de uma espécie peculiar que tanto alcança façanhas extraordinárias, como pratica actos atrozes.
Mas se o leitor é um homo sapiens, não fique muito orgulhoso. O ADN de um ser humano é muito semelhante ao de um chimpanzé, pelo que não atingimos o que somos nos dias que correm, só pela nossa composição molecular.
Algo mais nos move, algo que faz com nem todos sejamos iguais, e que tenhamos diferentes gostos (nem toda a gente gosta de ler “As aventuras de Tintin” apesar de o que o André pensa…).
Se é a diferença na composição do nosso ADN ou algo mais, não sei, nem tenho posição sólida e conhecimentos científicos para responder, mas espero que o mapeamento da origem das nossas diferenças (e que muita utilidade terá), não leve ao desaparecimento de um factor que nos levou a ser o que somos hoje: a diversidade humana.
Esclareço apenas que sou um leigo nesta área científica, pelo que me perdoarão alguma imprecisão técnica.
Depois de uma atribulada semana de espera, verdes notícias do Alentejo em fotografias desta manhã.
Na zona de Ferreira do Alentejo, a Barragem de Odivelas, integrada no Sistema Primário de Rega de Alqueva: descarga de fundo e derivação para os canais de rega.
A partir desta barragem, é distribuída água aos concelhos de Ferreira do Alentejo, Grândola e Alcácer do Sal, por meio de uma rede de 287km de canais de irrigação.

Vila nas margens do Sena (Villeneuve-la-Garenne). 1872
No próximo mês de Janeiro, votarei pela primeira vez em Cavaco Silva. Independentemente das críticas que possam ser feitas à social-democracia dos seus governos, julgo que o risco de ter Mário Soares ou Manuel Alegre na presidência da República é demasiado elevado. Primeiro porque é possível. Segundo porque seria um infortúnio que nos deixaria marcas profundas. Não há muito tempo a perder em considerações ideológicas.
Mais interessante será acompanhar o PSD depois de Janeiro. Com o seu ex-líder na chefia do Estado, poucas probabilidades terá de, cedo, voltar o poder. Tornar-se-á um partido domado por Cavaco ou verá nesta nova realidade, a oportunidade pôr a social-democracia na prateleira?
*'Post' já publicado n'O Insurgente.

Alfred Sisley. The Island of Saint-Denis. 1872.

A 15 de Outubro de 1905, surgia Little Nemo e as suas viagens no Reino dos Sonhos. Nascia assim a banda Desenhada. Hoje, 100 anos passados, é uma obra de arte.

Enquanto esperamos os novos observadores, apreciemos Camille Corot.
O Observador passa a contar a partir de hoje com dois novos colaboradores. O Pedro é meu cunhado, vive em Évora e aceitou escrever e deixar por aqui algumas fotografias que vai tirando por aí. O Francisco, além de meu amigo há vários anos, será de futuro, seguramente, também meu cunhado. As coisas são assim. De blogue individual passamos para um, não colectivo, mas familiar. Vai com certeza valer a pena. As minhas boas vindas ao dois e meu obrigado por terem aceite o convite.
Hoje dissolvi um sonho.

Talvez nenhum filme marca tão bem o complicado mundo de hoje. A incerteza, insegurança e desanimo são uma constante.
Sócrates usou um falcon para representar o governo no jogo de Portugal contra o Lichtenstein. Justificou-se alegando a pesada agenda desse dia, como se a impossibilidade de ir e a decisão de não comparecer não fosse uma opção.
Mas há um pormenor que é de salientar e bem demonstrativo de uma forma de estar. Sócrates considera seu dever assistir aos jogos da selecção, não distinguindo o Estado do país. Para o nosso primeiro-ministro, Portugal é o Estado e quando a selecção nacional joga à bola, ele tem de estar presente. Em nome do país e de todos nós, como se a sua falta fosse a nossa ausência.
*Texto publicado n'O Insurgente.

Jean Honoré Fragonard, Rapariga a Ler, 1776.
Parece Renoir, não parece?

Deserto do Sahara.
Foto daqui.
Lisboa tem um problema fundamental. Falta de habitantes. Todas os outros, crime, trânsito, falta de estacionamento e de habitação, resultam deste.
Por não haver quem viva dentro da capital, os que nela trabalham vêm de longe aumentando o custo da sua deslocalização.
A maioria das vezes, esse custo é pago individualmente através do uso do automóvel, outras, de forma colectiva, com os transportes públicos.
Aquando das eleições autárquicas os políticos prometem menos carros na cidade. Mais estradas, mais comboios, mais estacionamento, mais obra. Menos custos individuais, mais custos colectivos.
O Presidente de Câmara que queira resolver os problemas de Lisboa apenas precisa de seguir uma política que fixe as pessoas na cidade. O que será conseguido com uma política de arrendamento natural e não adulterada, de desburocratização dos serviços municipais, acompanhada pela qualidade de vida que é o viver e trabalhar dentro de Lisboa. Uma cidade arrumada, sem obras desnecessárias, sem ter de usar o carro e talvez, nem mesmo os transportes públicos.
Tudo o resto é folclore de campanha eleitoral e ânsia por deixar obra fácil.
* Texto já publicado n'O Insurgente.
O Vilacondense está de parabéns pelo seu segundo aniversário. Celebrar com um jantar tão cheio de gente ilustre é obra!

Country people playing a ball-game, Jan Steen - cerca de 1650.

No seguimento deste 'post'.
Retirado do livro, Lefranc, 'O Furacão de Fogo', de Jacques Martin.