Paulo Rangel esteve ontem na SIC Notícias e defendeu a tomada de decisões difíceis como a necessidade de despedir pessoal na função pública. Referiu ainda que tal teria de passar por um novo quadro constitucional. E é aqui que está o ponto. É na constituição portuguesa, e no problema que ela representa, que tudo desemboca.
Uma Constituição (e não as batotas que por aí andam) é a base de uma democracia liberal. Não deve ser causa de desunião, não devendo fazer referência a qualquer programa ideológico, mas reflectir o que o país é hoje, ao mesmo tempo que lhe permite estar preparado para o que o futuro lhe reserva. Não deve impor limites; não pode colocar entraves ao desenvolvimento humano; não lhe é permitido restringir a actividade livre de parte significativa da população em prol de outra amplamente beneficiada. Uma Constituição assim, como é a do estado português, de pouco serve, é causa de frustração social, económica e política.
Portugal é um país que sempre evitou debater o que o divide. Ganhou a fama dos brandos costumes, mas perdeu a da franqueza, da clarividência e está a tornar-se um caso de claustrofobia colectiva. É um país cheio de assuntos que não se podem debater; que encara os problemas sempre da mesma perspectiva e discute sempre as mesmas soluções. Um dilema de silêncios, um défice de auto-análise cujo resultado é a Constituição de 1976. Sim: mesmo após todas as revisões.
Publicado por André Abrantes Amaral em março 7, 2008 03:52 PM | TrackBackabraço.Visitem este novo blogue!
Afixado por: Blogue Malandro em março 10, 2008 08:13 PMEu costumo chamar-lhe o pragmatismo da pequenez...
Somos pragmáticos, um pouco fúnebres e fatalistas e não saimos das pequenas coisas, das minudências que pouca relevância têm na vida e no nosso crescimento.
Afixado por: RC em março 14, 2008 11:32 AMEu costumo chamar-lhe o pragmatismo da pequenez...
Somos pragmáticos, um pouco fúnebres e fatalistas e não saimos das pequenas coisas, das minudências que pouca relevância têm na vida e no nosso crescimento.
Afixado por: RC em março 14, 2008 11:37 AMDurante esta ausência o outsider fez anos :))))
Afixado por: annie hall em março 18, 2008 01:14 PMdupont diria mesmo: nem mais. Bem observado.
A minha dúvida reside em saber se é um problema histórico ou de cultura, afinal apenas 34 anos se passaram sobre uma geração perdida. Confesso-me uma optimista daí registar com muito agrado que está melhor, mais combativo, mais livre e opinioso. Falta ainda muito debate e sobretudo debate racional, as nossas escolas continuam tão ocupadas em 'debitar' a matéria programática que se esquecem de desenvolver este espírito, a liberdade de fazer opções e saber defendê-las: Debater é preciso, mas é preciso também aprender a debater.
Bem hajam.