maio 07, 2008

Como as grandes superfícies salvaram o comércio tradicional

A possível abertura das grandes superfícies ao Domingo à tarde foi marcada uma vez mais pela polémica. Entre os que a criticam estão os que lamentam a concorrência ao comércio tradicional.

Uma das diferenças entre Lisboa e outras cidades europeias é que, nestas últimas as pessoas fazem muitas compras na rua enquanto por cá se deslocam para os centros comerciais. À primeira vista, concluímos que, enquanto ‘lá fora’ se reconhece e privilegia o comércio tradicional, em Lisboa o mesmo não acontece. Mas há outra diferença muito mais subtil que não podemos menosprezar.

Quem vá ao Colombo e depois circule pelas principais artérias comerciais de Lisboa repara na diferença das lojas. Que estas não as mesmas, nem sequer são iguais. Ao contrário do que sucede em Londres, Paris e Madrid, as grandes cadeias de lojas internacionais instalaram-se nos shopping centres, não invadindo as ruas da cidade, tornando possível a preservação (contrariamente ao que genericamente se passou noutras cidades europeias) do comércio tradicional. Tal aconteceu porque as grandes cadeias internacionais, ao não abrirem lojas na rua, não inflacionaram os preços de arrendamento do espaço comercial. Houve espaço, espaço físico para todo o tipo de comércio.

É assim que cai por terra o argumento que as grandes superfícies concorrem e destroem o comércio tradicional. Tão só porque a realidade nunca é tão líquida e linear como parece ao primeiro olhar. Apesar do que tem sido dito inúmeras vezes, as grandes superfícies não só conseguem coexistir e par a par com o comercio tradicional, como o terá salvo da extinção. É assim o mercado.

Publicado por André Abrantes Amaral em maio 7, 2008 12:39 PM | TrackBack
Comentários

Não concordo .
Enquanto nas cidades mencionadas se encontra facilmente todo o tipo de comercio tradicional , com os seus artigos "not made in china" e com um atendimento personalizado e agradavel , em lisboa temos( eu pessoalmente tenho) dificuldade em encontrar uma loja que não seja sucursal das grandes cadeias e que me oferecem apenas os mesmos produtos , de baixa qualidade e uniformizados......chinocas .
A meu ver este tipo de comercio que invade os nossos bairos afastando o comerciante tradicional é fruto do baixo nivel de vida economico que temos .Sem dinheiro a população apenas tem acesso aos produtos baratos ( ditos populares nos tempos idos:) )e a qualidade de vida vai baixando lentamente , levando a que a oferta seja compativel com a capacidade de compra .E isto acontece num estado de dormência ( não apatia) mas sonolência que impera na população que chega a meio do mês sem dinheiro para comprar comida .
Bairos de lisboa , como alvalade e campo de ourique são a imagem mais confragedora da pobreza escondida .
Gente que era da classe média , que tinha um nivel razoavel de vida ( comia bem , ia ao cinema , comprava o jornal , tomava a bica , calçava bem , tinha roupa boa , de boa qualidade , sem luxos mas elegante , fazia economias , sim fazia um pé de meia!.....etcetcetc) e que agora não compra jornal , só vai tomar bica dia sim dia não , calça sapato vindo da china , de sola de papelão, veste trapos com feitio de roupa se alimenta mal e não consegue juntar dinheiro "para uma necessidade , conceito muito pequeno burguês e indespensavel numa economia saudavel..
E por aqui me fico , porque senão lhe diria André que as grandes superficies vivem da população suburbana que vive em casa horriveis , em aglomerados sem esttrutura de bairo e que se anestesiam comprando com o cartão visa , o de credito no cemtro colombo e afins.Assim sendo quem mantemm as grandes superficies são os bancos que se aproveitam de gente triste a quem não foi dada a oportunidade de fazer uma vida normal.

Afixado por: annie hall em maio 7, 2008 02:36 PM

"...as grandes cadeias internacionais... ...não inflacionaram os preços de arrendamento do espaço comercial"
O comércio tradicional e respectivo espaço comercial existe muito antes das grandes superfícies!
A realidade nunca é tão líquida e linear como parece ao primeiro olhar...

Afixado por: linkspontoPT em maio 7, 2008 03:41 PM

Os tempos mudaram, e apesar do que se diz a favor ou contra centros comerciais, a verdade é que o comércio tradicional já não o que era. Ainda ontem percorri várias farmácias de Campolide - onde resido - à procura de um produto dermatológico da OTC IBÉRICA - que só encontrei precisamente numa para farmácia do Centro Comercial das Amoreiras, sendo atendida com extrema gentileza, não obstante também o ter sido nas tais farmácias de Campolide. Ah, e só por curiosidade e alguma coincidência, vou acrescentar que nesta minha demanda pelas ruas de Campolide, eis se não, quando vejo no passeio oposto de uma destas ruas, o conhecido Maestro/Compositor e Pianista António Vitorino de Almeida ao vivo e a cores. O Senhor olhou para mim e eu olhei para ele, mas não tendo confiança alguma com o dito, logo me apressei a desviar o olhar, até por uma questão de timidez minha e do direito à privacidade da pessoa em questão (pessoa pública); confesso que me admirei com a figura um tanto envelhecida e apagada do Senhor Maestro, pois a diferença é enorme quando o vi já alguns anos atrás, no Largo do Carmo - naquela altura usava sempre um bastão ou bengala de madeira nobre, que teria cabo de prata - penso e digo eu - que lhe conferia um certo estilo algo excêntrico mas digno, que lhe ficava bem, pois a sua figura sobressaía dos demais.

Afixado por: Áurea em maio 8, 2008 07:09 PM
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?