Acho imensa piada ouvir que as medalhas olímpicas são muito importantes para o país. Chato como a potassa que sou pergunto sempre o que é e quem é o país? Tirando algumas generalidades, não há resposta convincente. Ela reduz-se sempre ao que vemos (ao que cada um de nós vê) à nossa volta. Dizer que Portugal precisa de medalhas é, ou não conhecer o país, ou ser profundamente egoísta. E insensível, também.
Quem não gostaria que os atletas portugueses ganhassem várias medalhas de ouro e outras tantas de prata e de bronze? Seria excelente, mas essa excelência não obriga a que seja triste que tal não aconteça e que seja imprescindível que o mesmo venha a suceder. Existem prioridades e esquecê-las uma vez de 4 em 4 anos, é o mesmo que uma criança perder a cabeça por uma ‘playstation’.
Além disso é impossível dizer que os portugueses querem medalhas olímpicas, quando quem o diz são necessariamente aqueles que acham isso importante: os comentadores desportivos, quem se recosta no sofá de casa a ver os Jogos e julga que o país durante 15 dias é aquilo. É assim que exigir mais dinheiro para os atletas, mas não estar disposto a entregar directamente o seu é imoral. É, com a protecção do anonimato, fazer a nossa vontade à custa do esforço de outros cidadãos que não têm voto na matéria.
* Este texto foi publicado ontem no blogue da Atlântico. Entretanto, Nelson Évora venceu a medalha de ouro do triplo salto. Os parabéns para quem esteve nos Jogos com um espírito completamente diferente da maioria.
Publicado por André Abrantes Amaral em agosto 21, 2008 03:54 PM | TrackBack