No dia em que entrámos naquela pizzaria pela primeira vez, estranhámos os empregados parecerem todos paquistaneses. Não indianos, mas paquistaneses, porque eram baixos e um pouco mais gordos que os indianos costumam ser. Eram paquistaneses, falavam mal o português e serviam comida italiana. Boa, belíssima comida italiana. E tinham outra coisa muita engraçada que era o se esforçarem imenso por nos agradar: Eram atenciosos, simpáticos, delicados, prontos no atendimento. Tinham graça, não por serem paquistaneses e mal se perceber o seu português, mas porque se atrapalhavam um bocadinho com a sua gentileza. Sentiam-se um pouco nervosos por não conhecerem os costumes locais: Os modos que utilizamos para sermos delicados, atenciosos e corteses. O nervoso próprio de quem desconhece se o que vai dizer ou irá fazer é a forma correcta de mostrar boa educação. Por isso, iam tentando, atiravam com um obrigado, um se faz favor, davam-nos um passou-bem hesitante, sorriam nervosamente e por aí fora. Por vezes tocavam-nos no ombro.
Não sei porque escrevo no passado, pois a pizzaria ainda existe e os quarto empregados paquistaneses, presumo que também donos, ainda lá estão. Eles atendem os clientes e vejo-os vezes sem conta a caminho ou a vir do trabalho, sem aquela camisa branca que no restaurante lhes tapa a roupa. Na rua chamam-me mais a atenção, estão mais nervosos e parecem mais perdidos. Fora de contexto. Apesar de tudo, não há queixas, ressentimentos, embora algum desapontamento, ou antes medo(?), escondido. Andam sempre muito depressa, com passos curtos e muito rápidos. A pressa é o que têm em comum uns com os outros e é também a pressa que os caracteriza por igual, quer estejam na rua ou a servir à mesa. Paquistaneses e comida italiana, massas, spaghettis e pizzas. A necessidade aguça o engenho e há quem faça pela vida.
Conheço um restaurante assim, possivelmente outro, um pouco longe da tua casa.
Achei muito curioso, um restaurante italiano composto por paquistaneses. A comida era excelente, do melhor que tenho encontrado.
Fui quase sempre antendido por uma rapariga, com uma timidez tão grande que quase se sentia.
Tenho lá voltado e tem sido sempre muito bom. Era interessante ver o que saía da fusão das duas cozinhas.
Afixado por: Pedro Cardoso em maio 16, 2009 09:45 AME que tal fornecer a morada do restaurante?
Os vosso elogios aguçaram-me o apetite hehe.
E que tal fornecer a morada do restaurante?
Os vosso elogios aguçaram-me o apetite.