maio 14, 2009

Personagens da avenida ao pé da minha casa

No dia em que entrámos naquela pizzaria pela primeira vez, estranhámos os empregados parecerem todos paquistaneses. Não indianos, mas paquistaneses, porque eram baixos e um pouco mais gordos que os indianos costumam ser. Eram paquistaneses, falavam mal o português e serviam comida italiana. Boa, belíssima comida italiana. E tinham outra coisa muita engraçada que era o se esforçarem imenso por nos agradar: Eram atenciosos, simpáticos, delicados, prontos no atendimento. Tinham graça, não por serem paquistaneses e mal se perceber o seu português, mas porque se atrapalhavam um bocadinho com a sua gentileza. Sentiam-se um pouco nervosos por não conhecerem os costumes locais: Os modos que utilizamos para sermos delicados, atenciosos e corteses. O nervoso próprio de quem desconhece se o que vai dizer ou irá fazer é a forma correcta de mostrar boa educação. Por isso, iam tentando, atiravam com um obrigado, um se faz favor, davam-nos um passou-bem hesitante, sorriam nervosamente e por aí fora. Por vezes tocavam-nos no ombro.

Não sei porque escrevo no passado, pois a pizzaria ainda existe e os quarto empregados paquistaneses, presumo que também donos, ainda lá estão. Eles atendem os clientes e vejo-os vezes sem conta a caminho ou a vir do trabalho, sem aquela camisa branca que no restaurante lhes tapa a roupa. Na rua chamam-me mais a atenção, estão mais nervosos e parecem mais perdidos. Fora de contexto. Apesar de tudo, não há queixas, ressentimentos, embora algum desapontamento, ou antes medo(?), escondido. Andam sempre muito depressa, com passos curtos e muito rápidos. A pressa é o que têm em comum uns com os outros e é também a pressa que os caracteriza por igual, quer estejam na rua ou a servir à mesa. Paquistaneses e comida italiana, massas, spaghettis e pizzas. A necessidade aguça o engenho e há quem faça pela vida.

Publicado por André Abrantes Amaral em maio 14, 2009 04:37 PM | TrackBack
Comentários

Conheço um restaurante assim, possivelmente outro, um pouco longe da tua casa.

Achei muito curioso, um restaurante italiano composto por paquistaneses. A comida era excelente, do melhor que tenho encontrado.

Fui quase sempre antendido por uma rapariga, com uma timidez tão grande que quase se sentia.

Tenho lá voltado e tem sido sempre muito bom. Era interessante ver o que saía da fusão das duas cozinhas.

Afixado por: Pedro Cardoso em maio 16, 2009 09:45 AM

E que tal fornecer a morada do restaurante?

Os vosso elogios aguçaram-me o apetite hehe.

Afixado por: Carlos em maio 16, 2009 06:51 PM

E que tal fornecer a morada do restaurante?

Os vosso elogios aguçaram-me o apetite.

Afixado por: Carlos em maio 16, 2009 06:53 PM
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?